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Bolsonaro; lenda, mito e mudança

 

26.02.2017

 

 

Articulista e Analista Político do Portal Notícia Capixaba; Wellington Callegari é servidor do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, professor de História, Geografia e Filosofia e Analista Político.

Causa surpresa em muitos, as sucessivas apoteoses pela passagem do Deputado Federal Jair Bolsonaro em várias partes do País. Sim, o parlamentar, que exerce mandato desde 1990 e que recentemente mudou de partido, trocando o PP pelo PSC, causa furor, e isso se deve principalmente a sua postura feroz em temas polêmicos, como o kit de educação sexual sobre “identidade e gênero” que o Ministério da Educação tentou distribuir em escolas brasileiras algum tempo atrás. O objetivo deste artigo não é defender ou atacar as posturas de deputado federal fluminense, mas sim analisar o fenômeno desta figura que têm crescido muito nos últimos tempos e que, apesar de solenemente ignorado pelos grandes meios de comunicação nacional, desponta com mais de 6% das intenções de votos em diferentes pesquisas eleitorais para a Presidência da República.

 

Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército Brasileiro, ingressou na política nos anos oitenta, pouco após o fim do regime militar, quando liderou um movimento de oficiais e soldados por melhores salários e contra supostos abusos cometidos pelo governo civil. Aproveitando-se da popularidade adquirida, elegeu-se vereador no Rio de Janeiro em 1988, e deputado federal pela primeira vez em 1990. Na maior parte de sua vida parlamentar, Bolsonaro ficou na semi obscuridade como um contraponto feroz, conservador e de cunho nacionalista, especialmente nos governos de FHC - de quem chegou a dizer que deveria ser fuzilado - e Lula - a quem acusa de comunista e de submeter os interesses do Brasil aos do Foro de São Paulo (organização de esquerda latino americana) – sendo muito pouco conhecido do grande público fora daqueles tradicionalmente interessados por política.

 

 A grande virada na projeção nacional de seu nome, ocorreu já durante o primeiro governo de Dilma Roussef, pela junção de três fatores inter relacionados:

 

1- Em primeiro lugar, sua campanha estridente contra o “kit gay” nas escolas, que o colocou em um embate não só contra o governo, mas especialmente contra parlamentares do PSOL, partido que defende políticas de apoio à “comunidade LGBT”, em particular o deputado Jean Willys.

 

2-Tal debate chamou a atenção de um setor que há muito tempo vem sendo desprezado no debate político, cultural e acadêmico nacional. O do “homem comum”, isto é, o indivíduo (homem ou mulher) médio, trabalhador público ou privado, não ligado especificamente a nenhuma organização, sindicato ou ideologia, que corresponde a mais de 75% da população e que por não se envolver em grandes “movimentos sociais”, não ser rica e nem famosa, e nem parte da “elite artística”, simplesmente não tinha expressão. E é importante entendermos isso, porque esse setor possui ideias radicalmente diferentes daquelas que normalmente são discutidas nos salões do poder, nos livros didáticos, nos programas de televisão e até mesmo na maior parte da mídia impressa. Ideias essas geralmente conservadoras, anti assistencialistas, com certa influência da religião (católica ou evangélica) e da “moral tradicional”, sendo em geral tachadas de “atrasadas”, “retrógradas” ou “reacionárias” pela elite “pensante”. Pois bem, cada vez mais pessoas desse grupo estão descobrindo em Bolsonaro e seu discurso, um veículo de expressão para suas ideias. Daí a quase “adoração” que multidões vêm mostrando por ele onde ele aparece;

 

3-Por fim, isso somente está sendo possível pelo crescimento vertiginoso das redes sociais da internet nos últimos anos. É quase que somente através delas, que Bolsonaro e seus partidários conseguem fazer sua imagem, seus discursos e suas “tiradas” chegarem até a população, uma vez que os grandes veículos de comunicação insistem em aceitar apenas o em bate político tradicional PT x PSDB, com a participação permanente do PMDB e agora, com o acréscimo da Rede Sustentabilidade de Marina Silva.

 

Se a grande mídia continuará a ignorar Bolsonaro, se sua ascensão política é algo que veio para ficar ou se ela será possível apenas com o apoio das redes sociais, isso é algo que não podemos responder com certeza ainda. Apenas o futuro poderá responder a estas questões. Mas o fato é que uma grande mudança no perfil político brasileiro parece estar ocorrendo diante dos nossos olhos, com certa guinada à direita na política, com o aparecimento do conservadorismo no debate e muito provavelmente, com o surgimento de outras figuras políticas que tentarão capitalizar esse apoio do “homem médio”.

 

 

 

 

 

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