sábado,
15 de junho de 2024

Fé, tradição e arte nos 60 anos de Corpus Christi em Castelo

Os tapetes coloridos produzidos na cidade impressionaram pela beleza e riqueza de detalhes

Redação

Fiéis da igreja Católica do município de Castelo trabalharam durante toda a madrugada para produzir mais de 2 km de tapetes que enfeitaram as ruas do centro da cidade para a tradicional procissão de Corpus Christi, realizada nesta quinta-feira, 8 de junho.

Os tapetes coloridos produzidos na cidade impressionaram pela beleza e riqueza de detalhes, o que torna Castelo referência na Solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo de Cristo.

Os 3 mil voluntários prepararam cerca de 90 toneladas de materiais como areia, pedra moída, vidro moído, pó de serragem e raspas de pneu, que foram preparados, com meses de antecedência, para que os voluntários e artistas da comunidade pudessem realizar o trabalho que começou na tarde de quarta-feira (07) e foi concluído por volta das 05:45 horas.

A vendedora Jessica Soares, de 26 anos, é uma das voluntárias. “Desde o ano passado, eu participo. Eu gosto porque é especial para mim. Contribui muito para minha espiritualidade”. 

Durante o dia, os voluntários que se revezaram na confecção dos tapetes também fizeram rondas para explicar sobre as peças que, neste ano, também foram detalhadas em placas instaladas ao longo dos 5 mil metros quadrados de tapete. O universitário João Pedro Dias, de 22 anos, era um dos animadores do público. “Estamos aqui para servir a comunidade que se desloca para cá e para poder fazer um evento bem bonito para celebrar a Eucaristia”

O público começou a chegar desde as primeiras horas da manhã à Castelo. Como a publicitária Ligia Bravim, que levou os filhos Yago, de 3 anos, e Maria Clara, de 5 anos, acompanhada do marido. “Hoje é o dia de a gente celebrar publicamente a nossa fé. Viemos comemorar a fé católica e Eucaristia”, disse. 

A Celebração de Corpus Christi é tradicional na cidade há 60 anos. A missa campal das 16h, em frente à Comunidade Matriz – Paróquia Nossa Senhora da Penha, reuniu milhares de fiéis. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Luiz Fernando Lisboa C.P, e concelebrada pelos frades Agostinianos Recoletos de Castelo e diversos padres que atuam nas paróquias da região. Durante a homilia, Dom Luiz recordou que a fé no Cristo eucarístico precisa levar à ação. “Se abrirmos os olhos do coração, saberemos que as palavras do Senhor Jesus são Espírito e Vida. É Jesus que alimenta nossa esperança comprometida na construção de uma sociedade mais ética, unida na qual os valores do Evangelho não sejam usados para interesses egoístas e mesquinhos, sem levar em consideração o bem comum”, salientou.

A tradicional procissão com o Santíssimo Sacramento, aconteceu no trajeto compreendido pelos tapetes. Os fiéis acompanharam o Sacrário motivados por canções e orações cujo objetivo era justamente o de manifestar publicamente a fé no Cristo na Eucaristia. Ao retornar à Matriz, a comunidade castelense e visitantes receberam a bênção com o Santíssimo Sacramento. Uma queima de fogos com 5 minutos de duração encerrou a programação. 

História

Desde que se tornou sede da Paróquia de Nossa Senhora, dirigida pelos padres agostinianos, começaram a ser erguidos altares em determinados pontos do município. Cobriam-se as ruas com folhas de árvores e as janelas das casas ostentavam toalhas de renda, bordados, jarras de flores e tapeçarias, enfeitando a passagem da procissão de Corpus Christi.

A mobilização da comunidade começa alguns meses antes da festa. Criam-se desenhos e é feito o levantamento do material a ser utilizado na confecção dos tapetes. Não importa a idade, todos colaboram e participam. A igreja, a Coordenação da festa e a Prefeitura Municipal de Castelo fornecem suporte para o trabalho.

A celebração de Corpus Christi (Corpo de Cristo) surgiu na Idade Média. Fazem parte da lembrança da data missas, procissões e adoração ao Santíssimo Sacramento. No calendário cristão, quarenta dias depois do Domingo de Páscoa é a quinta-feira da Ascensão do Senhor. Dez dias depois, o Domingo de Pentecostes. O domingo seguinte é o da Santíssima Trindade, e na quinta-feira é a celebração do Corpus Christi. 

Década de 1950

Em Castelo, no fim da década de 1950 já era costume erguer altares em determinados pontos de Castelo. As ruas eram enfeitadas com folhas de árvores e as janelas e sacadas eram ornamentadas com toalhas de renda (ou bordadas), jarras de flores e outros detalhes que davam ao local um aspecto festivo e solene, preparado especialmente para a passagem da procissão dos fiéis. 

No início da década de 1960, uma freira que vivia na cidade, Zuleide Vicência, com ajuda dos fiéis, inovou e confeccionou um pequeno tapete com motivos geográficos junto ao altar em frente à capela de  Nossa Senhora das Graças, da Santa Casa de Misericórdia. 

Em 1964, com o apoio do Frei José Oséas, vigário da Paróquia, um grupo decidiu fazer os tapetes no centro da cidade. Em 1965, algumas outras ruas foram enfeitadas e percorridas em procissão. Com isto, a festa ganhou notoriedade.

Das folhas secas de mangueira usadas inicialmente, novos produtos foram sendo acrescentados, entre eles terra vermelha, flores e palha de café e arroz, pedras granuladas ou moídas, brancas ou coloridas, borra de café, ramos picados de ciprestes, pó de serra tingido (ou natural), pó de pneus, cal, tampinhas de garrafas PET, bolas de gude e muitos outros. 

Na véspera, os moradores passam a noite confeccionando os tapetes, à espera dos turistas que prestigiam esta grande festa da fé. No ano passado, aproximadamente 65 mil turistas compareceram ao município.

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