quarta-feira,
29 de maio de 2024

Histórias de Marechal Floriano

Fonte: Acervo pessoal do Sr. Jair Borgo/Na foto: Ademilson Stein, Wilson Hülle, Jair Borgo, Helvécio Pereira e Gabriel Schunck 

Giovana Schneider

FESTAS JUNINAS QUE ERAM VERDADEIRAS PEÇAS TEATRAIS

Elas aconteciam em frente à Estação Ferroviária. Hoje atual praça: “José Henrique Pereira”.

Era uma verdadeira peça de teatro, como me relatou Oberdan Pereira. Rafael Antônio Módolo, o Toninho. Ele também lembrou do sucesso da cerimônia teatral do casamento na roça, disse, que por sinal eram verdadeiras obras de arte teatral, um espetáculo, digno de prêmios da arte cômica. 

Ela teve elogios na coluna “Marechal em Marcha” do senhor Ary Ribeiro da Silva, no jornal “A Voz da Montanha”. No dia 15/06/1966.

A matéria na íntegra:

No dia 2 de julho, foi realizada a quadrilha junina da Vila de Marechal Floriano com grande brilhantismo. 

Devemos agradecer nesta oportunidade a colaboração de propaganda ao radialista José Carlos Stein, e também as divulgações feitas através de “A Voz da Montanha”. O divórcio, interpretado por rapazes que não são artistas, mas têm boa vontade, foi realmente de agrado do público presente. Destacaram-se nesta apresentação: Mestre Caldeira, Jair e Helvécio. 

Logo após o divórcio houve o desfile da quadrilha em praça pública, composta de 36 figuras sob o comando do Mestre Caldeira, D. Vina, D. Fernandina e D. Paulina. Terminado o desfile, deu-se início ao movimentado baile com conjunto da Rádio Espírito Santo, que muito agradou. Às 23:30h deu-se início ao desfile do melhor “Melhor Caipira do Ano”, no qual foram consagrados na parte masculina, Mestre Caldeira, Helvécio e Zoca, e na parte feminina D. Fernandina, D. Paulina e Elzinha.

Logo após o desfile de o melhor caipira, foi consagrada com um prêmio a Srta. Cedilha com 41.500 votos, Morena com 8.000 votos e Angela com 4.000 votos. (…) 

Fonte: Acervo pessoal do Sr. Jair Borgo

Na foto: Wilson Hülle e Jair Borgo

Estive conversando com o Sr. Jair Borgo, ele me contou várias cenas que aconteciam na quadrilha, uma mais hilária que a outra. Essas quadrilhas aconteciam todos os anos, umas oito aconteceram, isso na década de 60. Era casamento, descasamento, desquite e tudo mais que podia acontecer e, não podia faltar o discurso. Tinha também o delegado — ele falou rindo. Envolvia quase sempre as mesmas pessoas. O casamento acontecia na integra, até os livros pretos eles conseguiam. Muito engraçado foi quando seu Nena Stein fez uma máquina fotográfica. Aquela que o fotógrafo coloca a cabeça e cobre com um pano preto. Arranjou umas bombinhas e quando foi fotografar deu aquela explosão, ele ficou com o rosto todo preto. Todo mundo caia na gargalhada. Outra foi quando ele, o seu Jair Borgo, fez a noiva grávida com um bebê no colo. Pensa, numa mãe com um filho no colo e grávida — ele falou rindo. Esse bebê era um garrafão cheio de água, ele estava com o dedo segurando para a agua não sair, quando passou o bebê para o noivo, tirou o dedo e a água jorrou como se fosse o bebê fazendo xixi, molhou o noivo todinho. Novamente todo mundo caia na gargalhada. Eles sempre inventavam e, ensaiavam para tudo dar certo. Se arrumavam na escola que hoje é o posto Cézar Vello Puppin, e de lá iam para a rua. Dona Vina, esposa do senhor Olimpio Pereira, era a “cabeça”, ela que marcava a quadrilha e, fazia os ensaios. O microfone era emprestado da igreja católica. Eram os rapazes que faziam as noivas e noivos. Tinha as irmãs de caridade que moravam em Santa Isabel, elas também iam assistir. Eram brincadeiras sadias. Saudades daquele tempo — ele finalizou. 

Essa foto acima é de 1969. Aqui dá para se ter uma ideia de como era o centro de Marechal Floriano naquela época. 

UMA RECEITA DE QUENTÃO

PARA ESQUENTAR O CORAÇÃO 

2 Kg de Açúcar

2 Litro de Cachaça

½ Kg de Gengibre

3 Litros de Vinho Suave 

2 Pacotinho de Cravo da Índia 

Canela em Casca 

Casca de Laranja Bahia

1 Litro de Água

MODO DE FAZER: Dourar o açúcar. Adicionar a água, gengibre picado, casca de laranja, cravo, canela e o vinho. Deixar ferver uns 20 minutinhos e adicionar a cachaça, fogo baixo. 

Giovana SchneiderEscritora, poeta, contista e colunista. Ocupante da cadeira de nº 06 da AFHAL (Academia Florianense de História, Artes e Letras “Flores Passinato Kuster”). 
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Comentários

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6 respostas

  1. Saudades daquelas festas juninas (julinas e ogostinas!) que não tinham interesses meramente comerciais como hoje. As pessoas se voluntariavam para promover um evento sócio-cultural onde o importante era o encontro lúdico, repleto de brincadeiras e de confraternização!

  2. Uma ótima matéria, como sempre. Parabéns. Gosto dessas histórias. Como naquela época as festas eram sadias. Atores amadores com muito talento. Poderiam até reviver festas assim, seria com certeza um sucesso.

  3. Pena que hoje não se fazem mais essas festas você poderia aproveitar e fazer uma matéria sobre os desfiles de 7 de setembro esses eu cheguei a participar, era lindo demais lembro o quanto chorei uma vez porque minha mãe não me deixou ser baliza. Infelizmente hoje não tem mais.

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