sexta-feira,
12 de julho de 2024

Missa na Matriz de Venda Nova celebra os 150 anos da Imigração Italiana

Redação

Fiéis lotaram a igreja Matriz São Pedro Apóstolo de Venda Nova do Imigrante, na região serrana do estado, para participar da missa em homenagem aos 150 anos da imigração italiana. A celebração, em italiano, aconteceu na quarta-feira, 21, e contou com a apresentação de dezenas de vozes. O coral sob regência do maestro Inarley Carletty, emocionou os participantes.

“A missa foi emocionante. O Coral Santa Cecília cantou a Ave Maria, o que tornou a celebração ainda mais encantadora. Foi um momento em que nos lembramos do trabalho e da resiliência dos primeiros imigrantes que desbravaram estas terras. Eles fizeram muito com o pouco que tinham e nos deixaram lições valiosas de como o voluntariado, o amor ao próximo e a fé podem construir um mundo melhor”, disse o presidente da Câmara de Vereadores de Venda Nova do Imigrante, Erivelto Uliana, que participou da celebração.

A missa foi presidida pelo pároco, padre Cristian Vieira Batista que, em sua homilia, destacou a fé dos imigrantes. “Estamos exaltando, nesta celebração, o Deus que acompanhou os imigrantes em suas travessias marítimas rumo às nossas terras, e também, valorizando a fé trazida e guardada por esse povo que, juntamente com a cultura, preservou o sentido da vida, sobretudo, nas alegrias”, afirmou.

Vestidos com trajes típicos italianos, os ítalo-descendentes coloriram de verde, branco e vermelho o corredor central da matriz. Durante o ofertório, a história da colonização foi contada através de equipamentos e ferramentas usados pelos imigrantes e, ofertados no altar.

Segundo a Secretária de Turismo de Venda Nova do Imigrante, Livia Caliman “essas peças exemplificam, inclusive, a fé trazida na bagagem pelos imigrantes que, durante toda a vida, trabalharam muito e mantiveram suas tradições e famílias unidas (…) Nós, como descendentes de italianos, buscamos manter viva essa ‘chama’ em nossas famílias, de geração a geração.”

Após a celebração, foi realizado o tombo da polenta, ao lado da Matriz. Os festejos contaram ainda com apresentações de grupos de dança Granello Giallo, Trevisani Nel Mondo, Circolo Trentino e Cantarola Italiana.

Cercada de muita animação e descendentes ávidos por fazer um registro do momento tão aguardado, a polenta tombou e representou com a gastronomia a imigração italiana no Estado.

O momento foi disputado, e um dos convidados para fazer o tombo foi o padre Cristian. Um reconhecimento justo ao sacerdote natural de Iúna que, apresendeu e presidiu toda celebração festiva na língua dos imigrantes.

“Italiano não é fácil!” Expressou o sacerdote afirmando que “com força, fé e empenho, abraçamos essa bela cultura, aprendemos sua língua e, por vezes, erremos, só não podemos desistir”, afirmou.

Logo após o tombo da polenta, a comemoração foi do jeito que o italiano gosta: muita música, polenta na chapa com açúcar e canela e uma deliciosa macarronada.

“Participar dessa celebração não é apenas gratificante, mas também uma oportunidade única de me conectar com as raízes e honrar a jornada dos antepassados italianos”, ressaltou a empresária Meni Altoé.

A chegada dos imigrantes italianos

Em 1874, chegaram 388 imigrantes italianos ao Porto de Vitória no navio La Sofia. Eles foram contratados pelo fazendeiro Pietro Tabacchi. O empreendimento Montes Palmas, porém, não prosperou. Enquanto alguns imigrantes foram para Região Sul do país, outros ficaram no Espírito Santo, se instalando na “Colônia Imperial de Santa Leopoldina”, no Núcleo de Timbuhy, onde, atualmente, fica o município de Santa Teresa.

Venda Nova começou a ser colonizada por volta de 1892, basicamente por imigrantes italianos. A comunidade conserva traços fortes da cultura dos mesmos, principalmente o espírito comunitário e progressista, manifestados em 1922 com a construção da primeira escola, a instalação da linha telefônica em 1925, a criação da Cooperativa Agrária de Lavrinhas (1927) ou mesmo a construção dos primeiros 20 km de estrada em regime de mutirão. Venda Nova se expandiu mantendo sua identidade sem maiores afluências de estranhos, até que se viu “rasgada” pela BR 262 (Rodovia Presidente Costa e Silva), no ano de 1957, experimentando um crescimento extraordinário, graças ao impulso dado com a ligação com grandes centros, como Vitória e Belo Horizonte.

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