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ENCHENTE: “Uma tradição Florianense; Agora, um pouco mais contida. Mas já fez história...”

 

13.09.2022

 

 

Giovana Schneider, sou escritora, poeta e contista.

 

Por Giovana Schneider

 

No livro de Memórias para servir a História, escrita em 1818, impressa em 1840, em Lisboa, Portugal. Do autor Francisco Alberto Rubim, na página 25, faz referências as enchentes do Rio Jucu. Fonte: APPS. 

 

A região do Rio Braço do Sul sempre foi afetada por inundações, sendo a cidade de Marechal Floriano a mais prejudicada. Uma das grandes cheias aconteceu em 1875, e que teve uns dos primeiros registros de morte por afogamento. Ruldof Springer, alemão nascido em Chemnitz, filho de August Friederich e Augusta Rasler, aconteceu ao atravessar a ponte da Vila do Braço do Sul, no período da enchente. (Evidencias do Jornal o Espírito Santense, de 18 de fevereiro de 1875).

 

As cheias do Rio Braço do Sul sempre foram frequentes, ele corta a área urbana do distrito sede do município de Marechal Floriano. Outras enchentes aconteceram ao longo da história, sendo algumas de maior proporção como a de 1930, 1960 e 1978.

 

Aqui vamos falar da que aconteceu em 1960. Pois, além da lente fotográfica do senhor Emílio Ewald de Campinho, temos o relato do Jair Littig, que na época, estava com 11 anos de idade:

 

“Embora na nossa casa a água veio perto da cozinha, onde só tivemos prejuízos com nossos pés de chuchu. Tudo começou numa quarta-feira de cinzas, dia 02 de março. Pela manhã já tinha caído bastante chuva. O trem misto das 10:00h, Leopoldina ainda conseguiu ir até Araguaia. Na quinta-feira iniciou-se a inundação. Foram três dias de muita água. Naquela época poucos residiam perto do rio. Os que moravam tiveram que ir para a escola e a igreja católica. Depois da enchente, surgiram problemas, a padaria ficou meses até consertar o seu forno, energia precária, o único ônibus só voltou depois de duas semanas. O trem, quatro meses para voltar a funcionar. 

 

A prefeitura pouco ajudou, na época Marechal Floriano pertencia a Domingos Martins. Falaram que haveria vacina, mas nunca chegou. Em termos de jornalismo, as notícias eram de Vila Velha e algumas outras localidades de Domingos Martins, da Vila de Marechal Floriano, falaram pouco. O forte volume de água que caiu no Rio Braço Sul, foi o responsável pela grande inundação de Vila Velha, que foi manchete nacional e teve ajuda do governo federal...”

 

 

Foto tirada do morro. Panorama geral de como ficou a Vila de Marechal Floriano em 1960. Foto: Emílio Ewald – Acervo: Jair Littig

 

História da época...

 

Naquela ocasião a Vila de Marechal Floriano, já havia o seu pequeno comércio. E muitas pessoas precisavam se deslocar para a Capital, afim de fazer compras, e resolver negócios. Quando souberam da enchente correram para a Estação de Argolas – Vila Velha (ES), afim de pegar o trem que partia às 10:00h. Foram informados que não haveria mais transporte. O que fizeram, saíram de Argolas a pé, com esperança de encontrar alguma carona. Andaram quase vinte horas, para chegar em Marechal. Entre essas pessoas estava Paulina Koelher Stein, esposa do comerciante Celso Stein. 

 

Quando fui entrevistar dona Paulina para o livro Resgatando Memórias, ela lembrou desta história. Disse que havia ido à Vitória fazer compras, pois, trabalhava com costura, e não era como hoje em dia, a facilidade de ir e vir. Quando chegou na capital, começou a chover, muita chuva mesmo, e já no outro dia ela muito preocupada com os filhos, já estava sabendo que o rio Braço do Sul estava enchendo. E como não tinha condução para chegar em Marechal. A situação não estava fácil. Então, não tiveram outra alternativa. Ela, e mais algumas pessoas, resolveram partir para Marechal, a pé. Saíram da Estação de Argolas às 7:00h da manhã e às 3:00h da madrugada, estavam em Marechal Floriano. Relatou que foram momentos de muita tensão até chegar em casa, a preocupação com os filhos pequenos. Não sabiam como encontrariam tudo, o que estaria acontecendo. E quando chegaram a água do rio já estava encostando na ponte, dava para sentir pisando nas tábuas — ela falou. 

 

Fico aqui imaginando a garra, a coragem de passar por locais perigosos, debaixo de chuva, e não desistiram. Era uma época sofrida, que não tinha muitas opções de transporte, e as estradas não eram asfaltadas. Mas eles não desistiam facilmente, não pensaram no que iriam passar, ou das dificuldades que enfrentariam, o que importava no momento, era enfrentar, e enfrentaram com maestria.  

 

Rua de Santana. Casa a esquerda de José Siqueira, da direita onde iniciou o Restaurante Braço do Sul. O barraco de palha era o matadouro. Nos fundos dá para ver a Estação Marechal Floriano. Foto: Emílio Ewald – Acervo: Jair Littig

 

As cheias do Rio Braço Sul sempre foram frequentes, isso não podemos negar. Mas o que temos também em Marechal Floriano, são enumeras construções as margens do rio. Falavam muito de umas pedras que seriam as causadoras das cheias, e assim foram retiradas. O assoreamento é visível, uns dizem que a causa foi a retirada das pedras, isso não posso afirmar. Todos os anos, na época das chuvas mais fortes, o nível da água do rio sobe muito, e muitas vezes invade as ruas, casas e até comércios. Causando muitos prejuízos. 

 

Este ano já tivemos uma cheia. Foi em fevereiro no dia 12/02/2022, uma forte chuva caiu em Marechal Floriano alagando ruas, e até o campo de futebol do América, o Estádio José Henrique Pereira.  

 

CLIMA — Em Marechal Floriano, o verão é curto, morno, opressivo, com precipitação e de céu aberto quase encoberto; o inverno é agradável e de céu quase sem nuvens. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 14ºC a 29ºC e raramente é inferior a 11ºC ou superior a 32ºC. PRECIPITAÇÃO — A probabilidade de dias com precipitação em Marechal Floriano varia significativamente ao longo do ano. FONTE: Weather Spark

 

Foto capturada do Rio Braço do Sul no dia 08/10/2022, da av. Waldemar Mees por Giovana Schneider

 

HOMENAGEM AO RIO  

 

RIO BRAÇO SUL

O Tal Rio...

Rio Jucu,

Braço Sul, ele já foi um profundo Rio.

No verão, os moleques nadavam, mergulhavam e,

Das pontes pulavam...

E muitos também pescavam.

Hoje em dia as águas não são mais profundas.

Nadar não se pode mais...

Pescar é se arriscar...

Suas águas estão contaminadas e,

O Rio que um dia foi Rio pode acabar...

E este dia não pensem que longe está.

Quando chega à época das cheias,

O Rio pede ajuda...

Mostrando os lixos que nele foram jogados.

Limpo ele poderia ter sido...

Ele deu mostras disso.

Reviver ele quer...

E pede socorro.

Culpados todos somos...

Ele depende de nós...

E nós dependemos dele,

Do Tal Rio...

Giovana Schneider

 

Um pouco mais, vocês podem encontrar no meu blog: “CADA UM DE NÓS COMPÕE A SUA HISTÓRIA” https://giocsch.blogspot.com

 

 

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Comentários


29/09/2022 - Mara Beatris Madeira de Araujo

Sua narrativa é uma viagem. Parabéns!


17/09/2022 - Jânia

Parabens amiga..que lindo texto e quantos relatos emocionantes..me fez voltar no tempo e relembrar as enchentes na minha infancia..


14/09/2022 - Geraldo Abreu Filho

Me recordo do açougue do Dr Benjamin


14/09/2022 - Lucinéa Schneider Tomaz Ricci

Muito bem a narrativa sobre as enchentes do rio braço sul, gostei muito!


13/09/2022 - Rogério Brambilla

Muito bom o texto parabens


 

 

 

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