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Homens estão entre as principais vítimas de suicídio

Morte autoprovocada é quase quatro vezes maior entre homens e a terceira principal causa de óbito na faixa de 15 a 29 anos, apontam dados oficiais

 

21.09.2022

 

 

Redação

 

Fenômeno complexo e multifatorial, o suicídio é quase quatro vezes mais incidente entre homens, conforme aponta o Ministério da Saúde. Nesse público, são 9,9 mortes autoprovocadas por 100 mil habitantes. Já entre as mulheres são 2,6 casos por 100 mil. Os dados são referentes a 2019 e integram o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil 2021-2030.

 

No Espírito Santo, o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSus) registra 56 mortes causadas por lesões autoprovocadas de janeiro a agosto de 2022, sendo 48 notificações referentes a homens e 8 com vítimas mulheres. Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), 78% dos casos de autoextermínio em 2019 tiveram homens como vítimas. Já as mulheres somam 22%. 

 

A psiquiatra e professora da Universidade do Espírito Santo (Ufes) Maria Carmen Viana, entretanto, destaca que “mais mulheres tentam o suicídio do que homens, mas mais homens morrem. Isso porque as tentativas masculinas tendem a ser mais violentas”.

 

Boletim Epidemiológico 33, publicado em 2021 pelo Ministério da Saúde, corrobora essa explicação e aponta que “(...) homens apresentam um maior risco de morte por suicídio em relação às mulheres. Não obstante, mulheres apresentam maiores prevalências de ideação e tentativas de suicídio”.

 

Faixa etária

 

O recorte de idade também chama a atenção nos casos de autoextermínio. Dados de 2021 da OMS revelam que o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo e representa a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos de idade, superada apenas pelos homicídios e acidentes de transporte.

 

Maria Carmen Viana explica que o grupo vive uma série de pressões para as quais, muitas vezes, não existem ferramentas para o enfrentamento. “Os jovens, em geral, têm menor capacidade de gerenciar conflitos e controlar impulsos. Muitas incertezas e inseguranças, crises existenciais, amorosas, profissionais, financeiras e por aí vai. Além de eclosão de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, e uso de álcool e outras drogas”, cita a médica.

 

O Boletim Epidemiológico 33 aponta também baixa autoestima, experiências adversas pregressas - como abusos físicos e sexuais pelos pais ou outras pessoas próximas - falta de amigos e suporte de parentes, exposição à violência e discriminação no ambiente escolar como fatores motivadores dos suicídios cometidos por jovens. “É uma resposta definitiva para um problema transitório”, sintetiza Maria Carmen Viana. 

 

A psiquiatra faz uma ressalva quanto às estatísticas. “Em números absolutos, vemos muitos casos na população jovem. Entretanto, esses números são pouco representativos, uma vez que os jovens têm a mortalidade por doenças reduzida. Por isso, devemos ver a proporcionalidade. Números absolutos falam pouco do ponto de vista de saúde. Um exemplo é o caso dos índios. Nessa comunidade, o índice de suicídios é muito alto. Entretanto, como a comunidade é pequena, o número absoluto é baixíssimo”, explica.

 

Saúde mental e outros fatores

 

Mais que o gênero ou a idade, a presença de quadros psiquiátricos, como ansiedade ou depressão, é fator preponderante entre as pessoas que recorrem ao suicídio.

 

Estima-se que mais de 90% das vítimas apresentam algum transtorno mental, o que representa risco oito vezes maior de recorrer ao suicídio, em comparação a indivíduos sem esse quadro. É o que aponta o plano para enfrentamento de denças crônicas e não transmissíveis.

 

A depressão é o transtorno mais frequente, representando 10,2% dos casos. A ansiedade também responde por grande parcela. A OMS aponta que 9,3% da população apresentava o transtorno em 2019, colocando o Brasil no topo da lista dos países mais ansiosos do mundo.

 

Apesar de haver fatores de risco, a determinação do suicídio é múltipla e complexa já que envolve tanto fatores externos (como questões financeiras, rupturas de relacionamento, trauma e exposição à violência e desastres) quanto internos (como história familiar de suicídio, doenças crônicas, transtornos mentais, sentimentos de solidão e desesperança).

 

Maria Carmen reforça que o suicídio não tem causa única. “São múltiplos os fatores, mas a presença de transtornos mentais é prevalente na maioria dos casos. A depressão, transtorno mais comum, costuma aparecer na segunda década de vida. Na infância, vemos mais ansiedade. Vale lembrar que há uma correlação grande entre transtornos mentais e suicídios”, destaca a psiquiatra.

 

Considerado problema de saúde pública, o impacto das lesões autoprovocadas pode ser percebido nos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). O Plano de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde aponta que foram destinados R$ 8,6 milhões para 10 mil internações no Brasil em 2019 relacionadas a tentativas de suicídio.

 

Perigos nas redes

 

Setembro é o mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. A campanha, conhecida como Setembro Amarelo, tem motivado pessoas nas redes sociais a se oferecerem para acolher e ouvir quem está se sentindo angustiado, deprimido ou pensando em tirar a própria vida. Maria Carmen ressalta, contudo, que nem sempre essa opção é segura.

 

“Depende muito da intenção do outro. Tem grupos que cultivam o suicídio, principalmente em redes sociais. Ensinam a buscar métodos mais letais. Temos de tudo. Mas também temos grupos com pessoas preparadas, ainda que sem formação na área. É o caso dos profissionais do Centro de Valorização da Vida (CVV). Temos uma reversão grande com o acolhimento. Acho bem perigoso buscar ajuda de desconhecidos fora de grupos de apoio como o CVV”, recomenda. 

 

Dificuldades no tratamento

 

Psicoterapia e medicação podem ser a solução para o sofrimento. Entretanto, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019, aponta que apenas 52,8% com depressão receberam atenção médica nos 12 meses anteriores à entrevista. Do grupo, apenas 18,9% relataram fazer psicoterapia. Já 48% afirmaram fazer uso de medicação antidepressiva.

 

Se há um alívio disponível, por que algumas pessoas acabam não aderindo ao tratamento? A psiquiatra exemplifica uma série de fatores. “A falta de contato com o próprio emocional, a falta de informações sobre as questões de saúde mental, a dificuldade de acesso a serviços dessa área, os efeitos colaterais da medicação e o estigma que uma ida ao psiquiatra ainda tem. Muita gente ainda acha que esse profissional atende apenas loucos.”

 

Prevenção

 

A rede de apoio pode ser muito útil na prevenção ao suicídio. Entretanto, nem sempre é fácil perceber que um ente querido não está bem. “É comum que quem convive com a pessoa que está sofrendo com algum transtorno tenha dificuldade de perceber a deterioração da saúde emocional desse familiar ou amigo”, ressalta Maria Carmen.

 

“É preciso comparar a pessoa com ela mesma e não com outras pessoas. Como ela era há 2 meses, 6 meses, um ano? Quando analisamos dessa forma, fica evidente o problema, a mudança de comportamento. Demorar a buscar ajuda tende a agravar o quadro”, orienta a psiquiatra.

 

 

 

 

 

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