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Médico adverte sobre uso de descongestionante nasal

Segundo o otorrinolaringologista Alexandre Sgavioli, uso indiscriminado pode causar sangramento, perfuração do septo e arritmia cardíaca

 

27.09.2022

 

 

Foto: Ana Salles

 

Redação

 

Um medicamento de uso comum, mas que pode trazer efeitos colaterais, como sangramento nasal, ardência, perfuração do septo, arritmia cardíaca, intoxicação em crianças e, durante a gestação, malformações cardíacas fetais. Esses são alguns dos riscos do uso indiscriminado dos descongestionantes nasais, de acordo com o otorrinolaringologista Alexandre Sgavioli, que participou da reunião da Comissão de Saúde desta terça-feira (27). 

 

O médico alertou sobre esse tipo de remédio, que figura entre os mais vendidos das farmácias do Brasil e costuma causar dependência, até mesmo psicológica. Para ele, deveria ser comercializado apenas com receita médica por um período máximo de quatro dias.

 

Sgavioli informou que a rinite, um dos motivos que leva ao uso do descongestionante, acomete cerca de 30% da população brasileira, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Mas, o próprio remédio pode causar rinite medicamentosa: “O paciente usa o vasoconstritor, o nariz abre, e ele tem uma congestão nasal de rebote”, explicou. 

 

O otorrinolaringologista disse, ainda, que o nariz é muito vascularizado e, por isso, absorve rapidamente o medicamento. Nas crianças, é preciso muito cuidado com a dose para não causar intoxicação. Inclusive, é importante não deixar o remédio em local de fácil acesso, pois a criança vê o adulto usando e pode imitar.

 

O especialista ressaltou que o uso do medicamento sem orientação médica pode acabar mascarando alguma patologia mais grave. Ele relatou o caso de um paciente que estava tendo sangramentos e utilizando o descongestionante nasal para alívio dos sintomas por três meses e, ao procurar atendimento médico, foi detectado um tumor na cavidade nasal. 

 

Tratamento 

 

Para aliviar o desconforto da congestão nasal, a primeira etapa do tratamento é o controle ambiental, segundo o médico. Ele deu algumas dicas: evitar carpetes e tapetes, lavar as roupas de cama com frequência e trocar o uso da vassoura e do aspirador pelo pano molhado. “Sempre passar pano em casa. Eu contraindico a vassoura e o aspirador”, disse. 

 

Ele também frisou a eficácia da lavagem nasal com soro fisiológico para diminuir a incidência de rinites e infecções. 

 

Ainda pode ser necessário o uso de medicamentos, como anti-histamínicos e corticoides, e a realização de cirurgias, como a de correção do septo e remoção da adenoide.

 

O consultor parlamentar da Comissão de Saúde, Edson Moreira Ferreira, perguntou ao convidado sobre o uso de um famoso descongestionante com mentol para alívio dos sintomas e também sobre a utilização de umidificadores de ambiente. Sgavioli respondeu que não indica a utilização desse descongestionante, “pois acaba mascarando uma patologia mais séria, postergando a ida ao médico”. 

 

Sobre os umidificadores, o médico explicou que, na Grande Vitória, não há necessidade. “A umidade já é muito alta. Isso acaba até piorando, gerando mofo no quarto”, disse. 

 

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Doutor Hércules (Patri), questionou sobre o impacto do pó de minério. O otorrinolaringologista respondeu que o pó afeta, sim, a saúde da população. “O pó de minério é prejudicial. É difícil o controle. As empresas têm tentado, mas, infelizmente, acabam não conseguindo sucesso. O vento acaba levando o pó para os lares e isso dificulta o tratamento”, respondeu.

 

 

 

 

 

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