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Pandemia derruba doações de sangue em até 50% no ES

Com baixa nos estoques acentuada pela Covid-19, Hemoes reforça protocolo sanitário à espera de doadores

 

14.06.2021

 

 

Foto: Ana Salles

 

Redação

 

“O sangue não é fabricado, não é vendido, não é comprado”. Assim a diretora-geral do Hemocentro de Vitória, Marcela Murad, busca conscientizar os capixabas para que se tornem voluntários. A frase ganha mais peso no cenário de pandemia, cujos impactos acentuaram a baixa nos estoques e hoje são responsáveis por uma queda na doação que varia entre 40% e 50% no Hemoes, localizado em Maruípe.

 

Se o número de doadores ideal gira em torno de 100 a 120 por dia, atualmente passam pela unidade uma média 60 a 70, explica a diretora. “Tivemos desde o início da pandemia uma queda considerável nas doações de sangue. Vivenciamos diariamente os reflexos causados pela queda nas doações. As pessoas ainda encontram certo tipo de receio de comparecer nos hemocentros devido à pandemia”.

 

No entanto, segundo ela, não há o que se preocupar. “O hemocentro é um lugar seguro”, garante. “Intensificamos todas as nossas ações de higienização, adotamos todos os protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. Nossos servidores estão devidamente treinados, capacitados, fazem o uso de todos os EPIs (equipamentos de proteção individual)”, frisa. Na sala de doação, as cadeiras são usadas de maneira intercalada e limpas com álcool.

 

Conforme explica, o risco de contaminação por Covid-19 durante todo o processo de doação é o mínimo possível porque as pessoas que comparecem ao local não podem apresentar nenhum sintoma gripal e devem estar bem de saúde. “Se tiver tido suspeita de Covid tem que ficar um período de até 30 dias para comparecer”, pontua (veja as diretrizes abaixo).

 

 

Conscientização

 

Como se já não bastasse a Covid-19, Marcela lembra que junho é considerado o mês de maior escassez nos estoques no Brasil. Isso se deve ao início das férias escolares, em que muitas pessoas viajam, e ao começo do inverno (dia 21), quando há maior incidência de doenças respiratórias. Daí um dos motivos do Junho Vermelho para conscientizar os cidadãos. “Não existe na indústria farmacêutica nada que substitua o sangue”, reforça ela.

 

A campanha foi o que levou Leonardo Leal dos Santos, 42 anos, a ir ao Hemoes pela primeira vez. O morador de Itaparica, Vila Velha, disse que sempre teve vontade, mas a correria do dia a dia o impedia, até que resolveu tirar um tempo para se tornar voluntário. Embora tenha pesado certo receio para doar durante a pandemia, revelou que se sentiu convencido com os cuidados adotados. “Realmente está seguro, desde a entrada até o local da doação”.

 

Pela sexta vez comparecendo ao Hemoes e já acostumado com o ambiente e profissionalismo da equipe, para Lucas Souza Barboza, 26 anos, a Covid-19 não foi um empecilho – nesse período ele contribuiu com duas doações em 2020, além desta em junho de 2021. “É importante, porque a gente pode ajudar uma pessoa que está precisando, reforçar o estoque, não custa nada”.

 

Lucas contou que passou a comparecer ao Hemocentro de Vitória com frequência depois de doar sangue pela primeira vez a um amigo - na ocasião, teve que pegar uma autorização por ser menor. Também reconheceu a importância do ato quando ele mesmo precisou de ajuda. “Já tive dengue hemorrágica e já precisei de plaquetas”, revelou ele, que mora em Maruípe.

 

 

Processo

 

Marcela alerta que cada doação pode salvar até quatro vidas, pois todas as bolsas de sangue passam pelo processo de fracionamento, por meio do qual os hemocomponentes são “separados” em quatro: plaquetas, plasma, hemácias e crioprecipitado. “Um paciente pode necessitar de apenas um hemocomponente como pode necessitar dos quatro”, explica. A decisão é do médico.

 

Assim que a doação é feita, as amostras coletadas são enviadas para a sorologia, etapa na qual é feita análise laboratorial para identificar eventuais doenças. “Se tiver algum problema essa bolsa é descartada”, observa a diretora. Caso contrário, é liberada para os hospitais. Esse processo leva dois dias, portanto, o sangue doado na segunda, por exemplo, só poderá ser usado na quarta-feira.

 

Embora não haja preferência por determinado tipo sanguíneo, Marcela reconhece a importância do sangue O- no estoque e explica o motivo: “Ele é utilizado em todas as urgências e emergências. Então teve um acidente de trânsito, a primeira demanda que a gente utiliza nos hospitais, sem fazer exame no paciente, é o O-”, ressalta.

 

O Hospital Estadual de Urgência e Emergência e o Hospital Infantil, além da Santa Casa de Misericórdia, todos em Vitória, são exemplos de unidades abastecidas com o sangue coletado. Além de acidentes e cirurgias de urgência, o estoque é usado para tratar pacientes com doenças crônicas que demandam o atendimento diariamente.

 

Ação externa

 

Para reverter o quadro de baixa nas doações, que não é exclusividade da Região Metropolitana, a equipe do Hemocentro de Vitória trabalha diariamente em busca de doadores. Essa captação ativa é feita por meio de contato telefônico ou envio de mensagem por aplicativo de quem está cadastrado no sistema da unidade.

 

“Essa equipe faz uma busca constante dos doadores, até para lembrar a pessoa de retornar para fazer doação voluntária”, conta a diretora-geral. Segundo os protocolos médicos, homens podem doar a cada intervalo de 60 dias (não excedendo 4 doações a cada 12 meses) e mulheres a cada 90 dias (não mais do que 3 vezes a cada período de um ano).

 

Houve intensificação das ações externas com a criação da coleta itinerante e adoção de equipamentos portáteis. “Antes da pandemia realizávamos ações somente com o ônibus do Hemoes, só que esse ônibus requer uma estrutura física muito ampla. Com a pandemia, nós nos reinventamos e criamos uma nova modalidade de coleta itinerante”, salienta Marcela.

 

Nesse caso, a ação é feita em locais menores, que demandem infraestrutura mais enxuta, e com menor número de doadores (50 a 70 por dia). O horário é agendado para evitar aglomeração. Entre os aparelhos levados estão os que coletam o sangue, cadeiras do papai e maleta de urgência e emergência. Isso não quer dizer que o ônibus esteja estacionado. Ele continua com as ações, mas com atendimento reduzido de 70 a 100 voluntários por dia devido aos protocolos sanitários. 

 

 

Além disso, o horário de funcionamento dos hemocentros do interior foi estendido. Em Linhares, Colatina e São Mateus a coleta está sendo feita das 7h até as 15h20 de segunda a sexta-feira (anteriormente era até as 12 horas). Na Grande Vitória o atendimento se dá em regime de plantão, das 7h às 18h20 todos os dias, sábados, domingos, feriados e pontos facultativos.

 

Doação

 

Para ser doador, basta que o interessado vá ao hemocentro com documento oficial com foto. Lá ele passará por um cadastro e responderá a um questionário. Depois, será feita uma triagem para aferir a pressão e peso e verificar a hemoglobina. Em seguida, é submetido a uma triagem clínica, fase na qual são feitas perguntas com base na legislação e é essa avaliação que vai dizer se o voluntário está apto ou não para doar.

 

Além de seguro, o procedimento de doação é o mais rápido de todo o processo, dura de 5 a 15 minutos. O volume de sangue coletado varia de 350ml a 470ml dependendo do peso do doador. Após o procedimento a pessoa recebe um lanche e fica em observação por 15 minutos.

 

Assembleia

 

A Assembleia Legislativa (Ales) busca dar sua contribuição para resolver a baixa no estoque. Não é raro que deputados apresentem iniciativas com esse objetivo. Um dos mais recentes é o Projeto de Lei (PL) 174/2021, de Marcos Garcia (PV). Pela matéria, receituários médicos e odontológicos deverão conter frases de incentivo à doação de sangue e de medula óssea.

 

Além desse, os PLs 492/2019 e 46/2020, dos deputados Capitão Assumção (Patri) e Vandinho Leite (PSDB), respectivamente, propõem que doadores regulares de sangue fiquem isentos da taxa de inscrição em concurso público.

 

Como ser doador

  • Apresentar documento de identidade oficial com foto; 
  • Estar se sentindo bem;
  • Ter entre 16 e 69 anos de idade. Quem tem 16 e 17 anos precisa de autorização do responsável – acesse o termo aqui. Os mais velhos podem doar desde que a primeira doação tenha sido feita até os 60 anos;
  • Pesar acima de 50 kg;
  • Ter dormido bem, pelo menos 6 horas, na noite anterior à doação;
  • Não estar em jejum;
  • Não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas antes da doação; 
  • Evitar fumar, pelo menos 2 horas antes e depois da doação;
  • Evitar ingerir alimentos gordurosos;
  • Caso tenha almoçado, a doação deve ser feita 3 horas depois.