sexta-feira,
29 de maio de 2026

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Veja regras para barrar o aumento do caos sobre “boatos e falsas notícias” nas redes sociais devido à falta de policiamento

Em meio ao caos que se instalou no Espírito Santo, devido à falta de policiamento nas ruas, surgiram fotos, áudios e vídeos com conteúdos que, em muitos casos, são mentirosos. E o compartilhamento desses materiais nas redes sociais só faz aumentar a sensação de insegurança.

Em entrevista ao portal Gazeta Online, o doutor em comunicação e professor José Antonio Martinuzzo de como barrar boatos em casos como esse. Ele criou uma espécie de seis mandamentos para que qualquer cidadão se policie antes de repassar ou publicar dados sem fonte assegurada.

“São seis verbos para estabelecer uma conduta cautelosa e ética nas redes: parar, verificar, controlar, responsabilizar-se, conscientizar-se e cuidar-se. É parar e pensar sobre o valor dos conteúdos que você recebe, publica e compartilha. Verificar se as mensagens são verdadeiras ou se são boatos (informações falsas ou não confirmadas). Uma forma de confirmar é ir às mídias sociais das fontes oficiais ou aos veículos jornalísticos tradicionalmente confiáveis”, esclarece Martinuzzo.

Impulso

Os cidadãos também devem controlar o impulso de publicar, cientes da tarefa de responsabilizar-se pelo que distribuem nas redes. “E conscientizar-se de que a transmissão de boatos pode ter graves consequências para a coletividade – de mortes a eleições sob suspeita. Por fim, cada um deve cuidar-se para não se tornar um viciado em publicações e usos diversos nas redes. O uso das redes pode viciar como qualquer outro gesto ou ação, tornando-se uma compulsão”, alerta Martinuzzo, também pós-doutor em Mídia e Cotidiano e professor e pesquisador na Ufes.

Regras de educação na rede também se ligam à responsabilidade legal sobre conteúdos falsos ou distorcidos. Mas como as pessoas podem saber o que é verdade? “Se você não for capaz de verificar com uma autoridade, confirme com os órgãos de jornalismo ou com as próprias mídias de comunicação dos órgãos oficiais”, reforça Martinuzzo.

Risco alto

Pesquisa do próprio especialista, com cerca de 400 respondentes voluntários sobre a ética nas redes, apontou que 87% acham que as pessoas mentem deliberadamente. E 82% acham que não há preocupação em se falar a verdade nas redes, enquanto 60% acham que a rede é poluída por boatos e 61% disseram que somente às vezes esperam encontrar relatos verdadeiros nas plataformas sociais da internet.

“Os milhões de usuários das redes costumam ser mais desinibidos on-line, protegendo-se por um suposto anonimato e por dificuldades em se fazer justiça no caso de crimes virtuais. As redes sociais produzem conteúdos incontroláveis. Cada gesto numa rede deixa marcas difíceis de apagar e que ainda podem ser distribuídas sem o menor controle”, alerta Martinuzzo.

Ainda de acordo com o especialista, como espaço de convivência formado por humanos, a internet carrega as mesmas possibilidades de bom e de mau uso, de tolerância e intolerância no dia a dia. De forma que o problema não é a técnica, mas o uso de suas possibilidades.

“Sobre boatos e mentiras, é preciso verificar em fontes confiáveis, na própria rede, em sites de veículos tradicionais de jornalismo, com amigos, livros, profissionais e especialistas etc”, insiste Martinuzzo. Nesse sentido, o imediatismo pode ser uma arma perigosa, porque a velocidade das máquinas digitais não se compara a do nosso cérebro. “Por isso, precisamos pôr um freio nas nossas reações diante das publicações e das atualizações nossas e dos nossos amigos da rede.”

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