domingo,
31 de agosto de 2025

Saúde

Árvore comum em Afonso Cláudio é capaz de proteger o coração

Foto: Iago Miranda

Iago Miranda

 

Uma árvore comum na região de Afonso Cláudio promete ser a solução no combate à arteriosclerose. A Virola Oleifera, mais conhecida como Bicuíba, passou por testes realizados pela Universidade de Vila Velha (UVV) que mostraram alta eficácia na redução de placas de gordura em vasos sanguíneos. A descoberta foi publicada em uma revista internacional em maio deste ano. 

 

O professor de Farmacologia da UVV, Thiago de Melo Costa Pereira, 37, responsável pela pesquisa, ressalta que é possível combater doenças do coração com a substância da árvore sem necessariamente diminuir o colesterol, como é feito nas terapias modernas.

 

“Esse é o principal resultado: reduzir a formação de placas nas artérias, sem alterar o colesterol”, afirma.

A resina vermelha da planta já era usada na medicina popular como cicatrizante. Foi assim que Seu Antônio Fernandes Côco, 49, morador da região, tratou uma dor de dente ainda na infância e passou o conhecimento ao filho, o farmacêutico Fábio Dias Côco, 27, que em 2010 era estudante da UVV.

 

“Decidi escolher a Bicuíba como objeto de pesquisa do meu trabalho de conclusão de curso. Além de adorar química, eu queria fugir do convencional, estudar algo praticamente inédito e da minha região”, explica Fábio.

Após comprovar por meio de entrevistas que a população da localidade de fato considerava a árvore como aliada na medicina popular, Fábio verificou diversas substâncias com propriedades farmacológicas após análise do perfil químico da planta.

 

Durante os sete anos seguintes a Bicuíba passou por novas análises que atestaram seu potencial também na proteção do rim, na capacidade de cicatrização e no tratamento de úlceras. 

 

A farmacêutica e mestre em Ciências Farmacêuticas pela UVV, Paola Nogueira Coutinho, 28, participou da pesquisa e como resultado da sua dissertação submeteu o artigo sobre os dados encontrados à revista internacional “Journal of Ethnopharmacology”.

 

“Decidimos escolher o segmento cardiovascular, porque é um dos maiores problemas da humanidade atualmente. Aplicamos a substância da árvore em culturas de células e em camundongos com colesterol alto. O resultado foi bastante positivo”, esclarece.

 

Apesar dos estudos realizados até o momento, ainda há um longo caminho a percorrer até que a descoberta possa ser usada em seres humanos. Para tanto, garante professor Thiago, será necessário que alguma empresa queira colaborar com as pesquisas. 

 

Além de alunos e professores da UVV, participaram da pesquisa cientistas do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site, e nos reservamos o direito de excluir. Não serão aceitos comentários que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira mais Notícias

Saúde

ES registra mais de 24 mil casos e primeira morte por dengue em 2025

Saúde

ES lidera no Brasil tratamento de AVC com menor taxa de mortalidade no SUS

Saúde

Aumento de infecções por rinovírus nas últimas semanas acende alerta no ES

Saúde

Hemoes registra baixa nos estoques de sangue em sua rede no Espírito Santo e pede ajuda à população

Saúde

Saúde inicia envio de SMS para pessoas com 60 anos ou mais que ainda não se vacinaram contra a gripe no ES

Saúde

Cardiopatia congênita: conheça a malformação que afeta 29 mil crianças por ano

Saúde

Doador Voluntário de Sangue: um gesto de amor que salva vidas

Saúde

Com baixa cobertura nos grupos prioritários, Sesa alerta e reforça papel da vacinação contra a gripe