Foto: Iago Miranda
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Iago Miranda
Uma árvore comum na região de Afonso Cláudio promete ser a solução no combate à arteriosclerose. A Virola Oleifera, mais conhecida como Bicuíba, passou por testes realizados pela Universidade de Vila Velha (UVV) que mostraram alta eficácia na redução de placas de gordura em vasos sanguíneos. A descoberta foi publicada em uma revista internacional em maio deste ano.
O professor de Farmacologia da UVV, Thiago de Melo Costa Pereira, 37, responsável pela pesquisa, ressalta que é possível combater doenças do coração com a substância da árvore sem necessariamente diminuir o colesterol, como é feito nas terapias modernas.
“Esse é o principal resultado: reduzir a formação de placas nas artérias, sem alterar o colesterol”, afirma.
A resina vermelha da planta já era usada na medicina popular como cicatrizante. Foi assim que Seu Antônio Fernandes Côco, 49, morador da região, tratou uma dor de dente ainda na infância e passou o conhecimento ao filho, o farmacêutico Fábio Dias Côco, 27, que em 2010 era estudante da UVV.
“Decidi escolher a Bicuíba como objeto de pesquisa do meu trabalho de conclusão de curso. Além de adorar química, eu queria fugir do convencional, estudar algo praticamente inédito e da minha região”, explica Fábio.
Após comprovar por meio de entrevistas que a população da localidade de fato considerava a árvore como aliada na medicina popular, Fábio verificou diversas substâncias com propriedades farmacológicas após análise do perfil químico da planta.
Durante os sete anos seguintes a Bicuíba passou por novas análises que atestaram seu potencial também na proteção do rim, na capacidade de cicatrização e no tratamento de úlceras.
A farmacêutica e mestre em Ciências Farmacêuticas pela UVV, Paola Nogueira Coutinho, 28, participou da pesquisa e como resultado da sua dissertação submeteu o artigo sobre os dados encontrados à revista internacional “Journal of Ethnopharmacology”.
“Decidimos escolher o segmento cardiovascular, porque é um dos maiores problemas da humanidade atualmente. Aplicamos a substância da árvore em culturas de células e em camundongos com colesterol alto. O resultado foi bastante positivo”, esclarece.
Apesar dos estudos realizados até o momento, ainda há um longo caminho a percorrer até que a descoberta possa ser usada em seres humanos. Para tanto, garante professor Thiago, será necessário que alguma empresa queira colaborar com as pesquisas.
Além de alunos e professores da UVV, participaram da pesquisa cientistas do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).