sábado,
31 de janeiro de 2026

Economia

PIX movimentou R$ 560,5 bilhões no estado com 1,36 bilhão de transações

Adesão ao pagamento em 2025 chegou a 74% da população da Grande Vitória, com um gasto médio de R$ 179 e de R$ 2.547 para PJ

Redação

O PIX deixou de ser apenas um meio de pagamento rápido para se tornar um dos principais motores da circulação de renda no Espírito Santo. Em 2025, o sistema movimentou R$ 560,5 bilhões no estado, em 1,36 bilhão de transações, números que ajudam a explicar por que a ferramenta está no dia a dia de consumidores e empresas capixabas. A adesão ao pagamento chegou a 74% da população da Grande Vitória, com um gasto médio de R$ 179 por Pessoa Física (PF) e de R$ 2.547 por Pessoa Jurídica (PJ).

Os dados revelam mudanças no comportamento financeiro da população e na dinâmica do comércio local. As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Banco Central do Brasil.

Do total movimentado no ano, aproximadamente 57% dos valores pagos e recebidos via PIX tiveram origem em pessoas jurídicas, o que indica o uso intenso do sistema em transações de maior porte, especialmente operações B2B (empresa para empresa), pagamentos a fornecedores e liquidações de compromissos corporativos. Já as pessoas físicas responderam por cerca de 42% do montante, movimentando mais de R$ 235 bilhões em 2025.

“Quando olhamos para os valores, fica claro que o PIX virou uma ferramenta estratégica para as empresas, sobretudo pela agilidade, baixo custo e impacto positivo na gestão do fluxo de caixa”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.

Apesar de as empresas concentrarem a maior parte do valor financeiro, o cenário se inverte quando o recorte é o número de operações. As pessoas físicas realizaram mais de 90% dos pagamentos e cerca de 63% dos recebimentos via PIX no estado. Essa diferença entre quantidade de transações e valor total movimentado reforça o uso do sistema como principal meio para pagamentos do dia a dia, funcionando, em muitos casos, como substituto do dinheiro em espécie.

“O PIX passou a ocupar o espaço da cédula nas pequenas compras cotidianas. É rápido e está sempre à mão, o que explica esse volume expressivo de operações realizadas por pessoas físicas”, destacou Spalenza.

Ao longo do ano passado, o uso do PIX apresentou crescimento consistente. Entre as pessoas físicas, o volume de transferências saiu de R$ 16,3 bilhões em janeiro para R$ 24,6 bilhões em dezembro, uma alta de quase 50,9%. Entre as pessoas jurídicas, o crescimento foi de 37,7% no mesmo período, passando de R$ 22,8 bilhões para R$ 31,4 bilhões, com destaque para picos registrados em agosto e dezembro.

O avanço do volume financeiro veio acompanhado de um aumento igualmente relevante no número de transações. Entre janeiro e dezembro, o volume mensal cresceu 38,1%, passando de 96,3 milhões para 133 milhões de transações. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas pessoas físicas, que ampliaram em 38,6% o número de operações ao longo do ano.

O valor médio das transações também ajuda a explicar o perfil de uso do sistema. “Embora o número de transações das pessoas físicas seja muito maior, o valor movimentado pelas empresas é substancialmente superior, refletindo a natureza dessas operações”, explicou Spalenza.

PIX nos municípios capixabas

A região metropolitana capixaba concentra a maior parte da movimentação via PIX no estado. Em 2025, Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Viana e Fundão responderam por R$ 363,4 bilhões em pagamentos, o equivalente a 64,8% de todo o valor transacionado no Espírito Santo. Na quantidade de operações, a região concentrou 58% dos pagamentos e 62% dos recebimentos.

Na Grande Vitória, a adesão ao PIX atingiu 74% da população, considerando os dados do sistema e a população estimada pelo Censo de 2022. Vitória liderou o ranking de adesão, com 81,8% da população utilizando o PIX ao menos uma vez no ano, enquanto Viana apresentou a menor taxa, com 65,6%. “Essas diferenças mostram como fatores socioeconômicos, infraestrutura financeira e maturidade digital influenciam a adoção do PIX nos municípios”, observou Spalenza.

Os dados municipais também revelam contrastes no valor médio das transações. Entre as pessoas físicas, Vitória registrou o maior tíquete médio pago (R$ 255), seguida por Vila Velha (R$ 216) e Guarapari (R$ 180). Entre as pessoas jurídicas, Viana se destacou com o maior tíquete médio pago, de R$ 4.754, sugerindo a presença de operações empresariais de alto valor, apesar de sua menor representatividade econômica no conjunto da região.

Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, os números confirmam que o PIX se tornou um mecanismo central de eficiência econômica no estado. “A ferramenta fortalece a competitividade das empresas e amplia a circulação da renda, com impactos diretos sobre o comércio e o consumo”, ressaltou Spalenza.

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