Rede Gazeta/Rael Sérgio.
Uma das primeiras medidas tomadas pelo vice-prefeito de Vargem Alta, na região serrana do Estado, Cláudio Pazetto (PR), que assume nesta quinta-feira (01) o comando do município, vai ser apurar administrativamente as irregularidades apontadas pelo Ministério Público Estadual (MPES) na Operação Canudal, deflagrada nesta quarta (30).
Os principais setores que passarão por auditoria, segundo Pazetto, serão as secretarias de Obras e de Agricultura, que tiveram os secretários e servidores afastados por determinação da Justiça.
“Vou aguardar a apuração da Justiça, mas também temos que combater a corrupção. Nos próximos dias já irei iniciar com uma nova equipe, para cobrir os desfalques”, disse.
O vice-prefeito garante que não tinha conhecimento de nenhuma das irregularidades apontadas pelo Ministério Público na prefeitura.“Como não tinha o poder da caneta, ficava restrito. Mas sabia das reclamações da população sobre o mau uso de dinheiro público na prefeitura. A investigação do Ministério Público está em sintonia com o desejo do povo”, frisou o vice.
O distanciamento entre os dois ocorreu por divergências administrativas, de acordo com o prefeito em exercício. “Foi por eu não querer mais ser conivente com um modelo de gestão arcaico. A gestão tem que ser pautada pelo diálogo, transparência e agilidade. O poder público tem que ter metas”, apontou.
Prefeito
O prefeito afastado de Vargem Alta, Bosquinho (PSB), afirmou por meio de nota divulgada em redes sociais, que está tomando as providências para suspender a decisão liminar que determina seu afastamento do cargo.
Na tarde desta quarta-feira (30), após a decisão judicial que o afastou do comando da prefeitura, o socialista não quis dar declarações. Na nota, o prefeito afastado destacou que recebeu a notícia do afastamento “com toda humildade, serenidade e consciência tranquila”.
“Lembro que estou completando praticamente 20 anos de vida pública. Todos aqueles que me conhecem de verdade, sabem que eu não enriqueci na política. Mas a fiscalização da administração pública é um dever das autoridades e um direito do povo”, disse.
Bosquinho afirmou que exercerá o direito de defesa visto que sempre trabalhou “dentro da ética e probidade administrativa, com respeito às normas legais no trato da entidade pública”.
Os secretários, servidores e vereadores investigados não foram localizados para comentar o afastamento.
Surpresa
Os servidores da prefeitura e da Câmara Municipal de Vargem Alta se disseram surpreendidos pelo cumprimento dos mandados de busca e apreensão logo no início do expediente, nesta quinta. Foram recolhidos documentos, computadores e outros tipos de mídias pelos policiais e servidores da receita estadual.
“Acompanhamos tudo, mas não entendemos como isso pode ter acontecido”, afirmou o diretor-geral da Câmara, Elieser Rabello. Ele é ex-prefeito da cidade.
A sensação foi a mesma sentida pelos vereadores. “Estou pasmo. Venho aqui todo dia pela manhã, e agora não estou podendo entrar”, disse o vereador Rivelino Rosa (PDT).
Na prefeitura, o expediente foi normal, pois o atendimento só começa ao meio-dia, quando as buscas já haviam terminado.


