Rael Sérgio.
Chateado e supresso com a ação do Ministério Público que o afastou por dois meses do comando da Prefeitura de Vargem Alta, o prefeito João Bosco Dias (PSB), o Bosquinho, falou pela primeira vez a para o portal Notícia Capixaba e o jornal Aqui Notícias, após reassumir suas funções no comando da cidade.
Segundo o prefeito, o sentimento que bate forte no peito, hoje, é o de uma condenação sem julgamento, já que ele responde apena a inquéritos e não a processos judiciais como alguns opositores teimam, maldosamente, em afirmar pelas ruas de Vargem Alta.
“Tenho 19 anos de vida pública e isso não se constrói da noite para o dia. Fui vereador e agora prefeito e não há nada que desabone minha conduta. Se houve alguma irregularidade foi imaturidade administrativa, o que pode ser corrigido ao longo do mandato. Eu não merecia isso”.
Notícia Capixaba: Que sentimento fica agora depois da Operação Canudal, que o afastou do cargo e, dois meses depois, o reconduziu ao comando da Prefeitura?
Bosquinho: Sentimento de condenação sem julgamento, um ato político que deixou sequelas psicológicas, morais e administrativas. Quem me conhece sabe que nunca fui envolvido com qualquer ato ilícito. São 19 anos como gestor público, duas décadas de trabalhos prestados a essa comunidade que confiou em mim e me elegeu prefeito. Para se ter uma ideia, eu não sabia sequer da existência do inquérito. A investigação começou com o presidente da Câmara e, ainda não sabemos por que, chegou aos meus atos administrativos. Vamos provar nossa inocência.
Notícia Capixaba: Opositores chegaram a falar em impecheament de seu mandato. Qual a verdade sobre isso?
Bosquinho: Nunca houve um pedido de impeachement impetrado em qualquer instância. Inventaram isso para me desestabilizar. A pessoa que assumiu a prefeitura nos últimos dois meses fez de tudo para jogar meu nome na lama. Pediu o prolongamento do meu afastamento na Justiça. Isso é deslealdade de quem não aguenta cinco minutos de investigação. São pessoas que não têm caráter e querem se perpetuar na administração sem ter capacidade moral para isso. É revoltante saber que convivemos com esse tipo de gente que nos apunhala pelas costas.
É bom deixar bem claro para a população, que não houve nenhum tipo de pedido afastamento. Quem foi na justiça pedir a prorrogação foi o vice-prefeito e sua equipe. Esse pedido deles é ilegal.
Eu fui afastado através de inquérito, e só tenho processos para responder. Eu não estou condenado. Agora o vice-prefeito, tem condenação em primeira, segunda e terceira instância. Ele sim está condenado por improbidade administrativa.
Notícia Capixaba: E como o senhor encontrou a prefeitura nesses dois meses de afastamento?
Bosquinho: Conseguiram engessar a administração municipal com apenas dois meses à frente do Executivo. A prefeitura ficou inadimplente, estamos com uma série de certidões vencidas, o que impede o recebimento de verbas públicas do Estado e da União. Quem me denuncia não sabe administrar, quer apenas a prefeitura para bancar seus devaneios. Mas a população está ciente do que acontece em Vargem Alta.
Notícia Capixaba: Falam em desvios de R$ 13 milhões…
Bosquinho: Em nenhum inquérito fala desse desvio. Eu quero que o MP, esclareça de onde tiraram esse valor. Nossa receita é de R$ 4 milhões por mês. Como desviar R$ 13 milhões de uma cidade que arrecada um terço disso? Seria deixar a cidade sem serviços básicos, sem Educação, Saúde e Infraestrutura.
Outra mentira que é bom esclarecer, é sobre uma divida de 6 milhões, que o prefeito interino disse que estava acumulada nos últimos anos, e ainda o déficit orçamentário encontrado, segundo ele, com mais de R$ 12 milhões. Esse déficit é do mês de agosto, e acredito que vamos fechar o ano com o déficit pequeno.
No entanto, tudo estava funcionando bem quando fui afastado. Quando assumi a prefeitura, eram 150 cargos comissionados, cortamos para quase metade. Nosso serviço de Saúde da Família dá cobertura de 100% às comunidades do centro urbano e dos distritos. Temos dois pronto-socorro funcionando. Construímos novas escolas, como a de Vila Maria, além de acabar com lixões, como o de Jacigua e Boa Esperança. Nosso lixo agora é tratado em Cachoeiro, com gasto mensal de R$ 20 mil. Enfim, esse trabalho incomodou quem nunca fez nada pela população. O resultado é essa aí, perseguição sem provas.
Notícia Capixaba: O que fazer para resgatar a credibilidade e a confiança da população?
Bosquinho: Só temos que trabalhar e dar tempo ao tempo. Quem me conhece sabe do que estou falando. Estamos enxugando a folha de pagamentos e reduzimos ainda o número de secretariados.
Fui eleito pelo voto do povo e nada pode me tirar daqui senão a vontade popular. E isso percebemos que não existe na cidade. Percebe-se que isso foi orquestrado e está sendo desmascarado com trabalho e com a justiça. Fui tratado como criminoso, mas já superei e vamos trabalhar ainda mais para colocar o município nos trilhos novamente. Só de folha de pagamento já ultrapassamos os 54% do limite prudencial. Isso quer dizer que todos os comissionados que demitimos foram novamente recontratados, inchando a máquina públicas nestes dois meses. Isso sim foi irresponsabilidade. São pessoas sem escrúpulos, que querem achacar os cofres públicos.
Notícia Capixaba: E a polêmica do Posto Fiscal?
Bosquinho: Primeiro nenhum município, e também o Governo do Estado mantém postos fiscais abertos. Quando iniciou era importante para o município, pois o procedimento tributário era diferente. E hoje os procedimentos mudaram. Eu tenho um oficio da Receita Estadual, de Cachoeiro que coordena toda a região Sul, que a fiscalização não trás nenhum beneficio para Vargem Alta.
O prefeito interino reabriu o posto de fiscalização para agradar a alguns fiscais que trabalhavam 24 horas e folgavam três dias, onerando os cofres públicos. Não tem o menor cabimento deixar aquele posto fiscal aberto para fiscalizar quase nada. Não compensa. Reabrir o posto foi uma jogada para a plateia, uma cartada inócua do ponto de vista da arrecadação. Por outro lado, houve reajuste dos contratos com um posto de gasolina muito acima do recomendado por nossos órgãos de controle. Isso sem nenhum documento autorizativo. Na minha ausência adotaram a politica de terra arrasada. Mas estamos trabalhando para atenuaro sofrimento do povo com ações preventivas de controle das finanças.
Notícia Capixaba: E como fica sua relação com a Câmara de Vereadores?
Bosquinho: É uma relação institucional baseada no respeito. Não tenho nada contra o trabalho dos vereadores. Acreditamos que vamos voltar a compor um cenário que privilegie o cidadão e não interesses particulares. Dinheiro público não é para fazer politica barata, assistencialista. Precisamos construir ações práticas que melhorem a qualidade de vida dos nossos munícipes, de nossas crianças, nossos idosos, nossos jovens, mulheres e homens que pagam honestamente seus impostos.
Notícia Capixaba: O senhor é candidato à reeleição?
Bosquinho: O afastamento manchou sim nossa imagem. Mas acreditamos que com o desenrolar do nosso mandato, vamos reconquistar nossos simpatizantes e eleitores. Só vou falar de eleição ano que vem. Quero arrumar a casa, deixar que a paz volte a reinar em nosso município, sem mentiras, com transparência e muito trabalho. Tentaram desestabilizar minha administração usando ferramentas pesadas, mas não conseguiram, pois a Justiça sempre prevalece.
Quero aproveitar a oportunidade e desejar a todos os vargem-altenses um Natal de paz, com as seguintes palavras do Papa Francisco, do Ano Santo da Misericórdia. “Tem que saber perdoar, ser solidário e buscar ajudar, e é isso que eu faço como pessoa e gestor público. Nós precisamos de paz”.


