quinta-feira,
21 de maio de 2026

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Mãe denuncia que, apesar da repercussão, sala de aula em que o filho de 12 anos estuda, em escola municipal de Marataízes, continua sem ar-condicionado e com o ventilador quebrado

Redação

Nathália Pereira, de 36 anos, moradora do bairro Esplanada, em Marataízes, afirmou que recebeu ameaças após publicar nas redes sociais um vídeo denunciando o calor excessivo na sala de aula do filho. Foi ela quem autorizou o estudante Gabriel, de 12 anos, a levar um ventilador para a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Maria da Glória Nunes Nemer.

“Isso é um absurdo! Pago meus impostos e vou lutar até o fim pelos direitos do meu filho. As crianças não são o futuro do país? Então precisam ter condições dignas para estudar”, desabafou Nathália, afirmando que não pretende apagar o vídeo, mesmo após a repercussão. Ela preferiu não citar nomes sobre as ameaças.

Apesar da repercussão e da promessa da prefeitura de resolver o problema até segunda-feira (13), Nathália afirma que a sala do 6º ano onde o filho estuda continua sem ar-condicionado e com ventilador queimado. Segundo ela, outros alunos também sofrem com o calor e já houve até caso de desmaio na escola.

A mãe conta que a turma tem mais de 20 alunos e que a sala possui apenas uma janela, voltada para o pátio, o que agrava ainda mais a sensação térmica.

“Na semana passada, meu filho disse que não queria ir para a escola porque o calor estava insuportável. Ele chegou a sentir falta de ar”, relatou. Gabriel tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

Ela explicou que o próprio filho sugeriu levar o ventilador. “Perguntei se não tinha ar-condicionado, e ele disse que não. Então mandei ele limpar o ventilador e levar na segunda-feira (6)”, contou.

Ao chegar à escola, o menino ligou o aparelho para ajudar os colegas. Segundo Nathália, uma professora auxiliar autorizou o uso. No entanto, pouco depois, a coordenação pediu que ele retirasse o ventilador. A direção teria informado que o problema seria resolvido em breve.

 SAPO

Nathália afirma que os problemas vão além do calor. Segundo ela, há ventiladores quebrados, portas danificadas, cadeiras em más condições e bebedouros sem manutenção. Após a denúncia, um bebedouro chegou a ser limpo — e, segundo a mãe, um sapo foi encontrado dentro dele.

Ela defende a presença de autoridades na escola para verificar a situação de perto. Nathália agradeceu ao deputado estadual Fabrício Gandini (Pode), que informou que fará uma fiscalização no local na próxima semana.

Gandini é autor da Lei Estadual nº 11.605/2022, conhecida como Lei do Ar-Condicionado, que obriga a climatização das salas de aula nas escolas estaduais, com temperaturas entre 20°C e 23°C. Após a lei e ações de fiscalização, o governo informou que 73% das escolas estaduais já foram climatizadas, com previsão de chegar a 100% até o fim do ano.

“O deputado será muito bem-vindo. Toda ajuda é importante. Nossas crianças estão sofrendo”, afirmou Nathália. Ela também disse que, se nada for feito, pretende organizar um movimento com outros pais no município.

Em nota, a Prefeitura de Marataízes informou que a escola está passando por obras de ampliação, climatização e ventilação. Disse ainda que parte dos aparelhos de ar-condicionado já foi consertada e que novos ventiladores foram adquiridos e estão em processo de entrega.

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