Fotos: Iago Miranda/Rael Sérgio
![]() |
Iago Miranda/Rael Sérgio
Sete alunos de uma escola no interior de Marechal Floriano, na região serrana do Estado, apresentaram sinais de automutilação leve nos braços. A descoberta, feita pela equipe pedagógica, deixou pais e professores preocupados.
![]() |
| Segundo a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Victor Hugo, Eliane Leandro da Vitória, uma menina foi encontrada no banheiro com sangramento no pulso, na quarta-feira (24). Logo em seguida, todas as turmas, do sexto ao nono ano, foram vistoriadas e outros seis casos apareceram. |
"Agimos com sensibilidade e tomamos as devidas providências, buscando ao máximo trabalhar em rede com os equipamentos públicos ligados ao assunto, além de muito zelo para não constranger ou expor nossos alunos", comenta a diretora.
Os adolescentes envolvidos têm de 12 a 16 anos, sendo seis meninas e um menino, estudantes do sexto e do sétimo ano. Mesmo com perfis diferentes, o que chamou as boas notas em sala de aula e o acompanhamento frequente dos pais tornaram a motivação ainda mais intrigante.
![]() |
| Equipe age rápido e atende alunos feridos |
O atendimento do caso contou com o apoio do Conselho Tutelar, das Polícias Militar e Civil, além da Promotoria de Justiça, do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e do Posto de Saúde da localidade.
Três dos alunos, segundo a direção, usaram a mesma lâmina retirada de um apontador para fazer os cortes, e por isso todos foram encaminhados para fazer exames médicos.
O psicólogo do Cras, Wendel Faller Uhl, que atendeu individualmente cada estudante, explica que o caso foi pontual e, até o momento, parece não estar ligado ao uso de tecnologias ou ter influência da mídia, como os relatos recentes do jogo chamado Baleia Azul.
“Cada qual apresentou uma ‘razão’ para o ocorrido sem, contudo, demonstrar ligação com esses fatores. O contexto familiar pode estar afetando muito mais”, ressalta o psicólogo.
“Um plano de intervenção com as famílias e a escola está sendo elaborado para dar prosseguimento ao atendimento integral dessas famílias, a fim de fortalecer os vínculos”, complementa a assistente social do Cras, que também acompanhou o atendimento, Lígia Moreira de Souza Anastácio.
A responsável por uma das meninas garante que ficou surpresa com o acontecido. Ambas tiveram a identidade preservada para não expor a intimidade da família e não atrapalhar a finalização da investigação.
“Nós sempre acompanhamos como ela está na escola. Ela falou que foi uma amiguinha que disse ser divertido fazer aquilo e acabou fazendo, não por maldade, mas por curiosidade”, disse. A menina em questão não tem celular e tampouco acesso à internet em casa, o que afasta a hipótese do jogo Baleia Azul, no caso dela.
Orientações
O psicólogo Wendel Faller Uhl, e a assistente social Lígia Moreira de Souza Anastácio, ambos profissionais do Cras de Marechal Floriano dão as seguintes orientações para os pais que encontrarem os filhos com sinais de automutilação:
“Primeiramente, é necessário aproximar-se e não rechaçar. Esse é o momento que ele mais precisa de apoio. Em seguida, convém orientar sobre o assunto com calma”, afirma Wendel.
Essa orientação pode ser um pouco difícil, nesse caso Lígia sugere a procura de um profissional para auxiliar os pais. “O próprio Cras do município ou o Posto de Saúde mais próximo poderão indicar a quem procurar”.




