sexta-feira,
07 de agosto de 2026

Artigo/Opinião

Quando a saúde de sua própria cidade pede socorro

A cena deveria ser o oposto do desespero: ao cruzar as portas de um CENTRO DE SAÚDE, o cidadão espera encontrar o alívio, a ciência a favor da vida e o acolhimento de quem estudou anos para cuidar do outro. No entanto, o que muitas vezes se materializa diante de quem busca socorro é uma realidade fria, apática e desumanizada.

“Viver a experiência de procurar atendimento sentindo dores fortíssimas e vomitando, apenas para receber um tratamento negligente, é um choque doloroso. É a nítida e revoltante sensação de que, para alguns profissionais, vidas tornaram-se meros números, e o juramento de Hipócrates foi soterrado pela burocracia ou pelo descaso. Não se trata de uma generalização leviana, mas do retrato fiel de uma vivência inaceitável: a prescrição irresponsável de “qualquer remédio” a um paciente que implora por diagnóstico e cuidado”, Giovana.

A gravidade dessa falha sistêmica só fica evidente quando o contraste se impõe. Foi preciso buscar refúgio em outro município para encontrar o que deveria ser o padrão básico em qualquer lugar: respeito à dor alheia, investigação clínica séria e humanitária. A internação imediata que se seguiu em outra cidade não apenas salvou o bem mais precioso que temos, como também escancarou a falha do atendimento anterior, quando fui questionada, com espanto, se a possibilidade de internação havia sido sequer cogitada no primeiro atendimento. A resposta, previsível e triste, foi um rotundo NÃO.

O que mais assusta não é um caso isolado, mas o eco coletivo dessa chaga. Conversar com outros moradores revela um coro de indignação sobre o péssimo atendimento prestado por uma parcela dos profissionais de saúde no CENTRO DE SAÚDE, mais conhecida como Policlínica de Marechal Floriano. Histórias de descaso que se repetem, transformando um direito constitucional em uma roleta-russa com a saúde e a integridade da população.

É urgente lembrar o óbvio: o mínimo que uma sociedade precisa para caminhar é de uma saúde que funcione, que cure e que acolha. Quando o lugar onde moramos, que deveria ser sinônimo de lar e segurança, nos vira as costas no momento de maior vulnerabilidade, a cidade inteira pede socorro. Cuidar da saúde pública não é favor, é dever; e restaurar a dignidade do atendimento médico em Marechal Floriano é uma urgência que não pode mais esperar o próximo grito de dor.

Passar por uma experiência limite e conseguir ver o caso revertido é, acima de tudo, um alívio imensurável — um verdadeiro renascimento. Saber que a tempestade passou e que a saúde foi recuperada traz uma paz profunda, mas essa sensação vem acompanhada de uma sombra incômoda e amarga: a consciência dolorosa de que nem todos têm a mesma sorte.

O alívio pelo próprio desfecho positivo choca-se de frente com a dura realidade daqueles que ficam para trás. Pensar em quantas pessoas passam pela mesma negligência, mas não encontram uma porta de saída, um outro município acolhedor ou um diagnóstico a tempo, é revoltante. É a constatação de que, no cenário atual da saúde pública, a sobrevivência e a dignidade acabam dependendo da sorte, e não de um direito garantido.

Essa dualidade — a alegria pela própria cura misturada à revolta pelo sofrimento alheio — é o combustível necessário para que o silêncio seja quebrado. Afinal, uma vitória pessoal na saúde só se completa de verdade quando o sistema muda a ponto de garantir que nenhum outro cidadão precise passar pelo calvário do descaso.

Comentários

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Uma resposta

  1. Infelizmente , politicamente nossa cidade está , entregue ao caos.
    Só para começar , nunca vi um secretário de saúde , que não entende nada de saúde e nem de pessoas humildes , que por sua vez , procuram atendimento e não obtêm retorno desejado .
    Saúde é coisa seríssima, um simples diagnóstico pode levar você a óbito,
    Sendo que se o atendimento fosse , tratado com mais propriedade, e não com descaso.
    Fica aqui minha indignação pelo ocorrido com Giovana Cristina Schneider.

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