Fernanda Zandonadi
Cerca de 250 moradores de São João de Viçosa, em Venda Nova do Imigrante, interditaram a BR-262 na noite deste domingo (18). O protesto começou às 20h e se estendeu até 1h da madrugada desta segunda-feira (19). Os manifestantes fecharam os dois sentidos da rodovia ateando fogo em pneus e objetos. Formou-se, em pouco tempo, dez quilômetros de fila com caminhões, ônibus e veículos de passeio aguardando a liberação do trecho. Segundo os Bombeiros, a via só foi totalmente liberada às 3h50 da madrugada.
O protesto foi para cobrar melhorias na via. O local é conhecido pelo alto número de acidentes graves, dois deles, nos últimos dias. Na tarde do domingo, Sérgio Ferreira de Jesus, de 33 anos, morreu ao ter sua moto atingida por um Corolla branco, que fugiu sem prestar socorro. Na última quinta-feira (15), duas carretas colidiram e um motorista morreu no local. O outro, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo os manifestantes, depois da retirada de um quebra-molas, que ficava em frente ao ponto de ônibos usado pelos moradores, o número de colisões graves aumentou e as batidas ficaram mais graves. “Fizemos um abaixo-assinado no ano passado, reclamando da retirada do quebra-molas. No entanto, não tivemos resposta. É uma situação complicada, as crianças e idosos são os que mais sofrem, pois têm dificuldades para atravessar a rodovia. Os veículos passam em alta velocidade, por isso pedimos uma rotatória, um semáforo ou um radar por aqui”, explicou um dos moradores de São João, o artesão Rodrigo Santuchi de Almeida.
Moradores relatam que a retirada de um quebra-molas do trecho aumentou o número de acidentes
Moradora há mais de 20 anos do local, a pensionista Emília Pereira Perúdio, de 62 anos, fala da dificuldade para atravessar a rodovia. “Eu ando devagar, porque tenho problemas no joelho. Acho muito perigoso atravessar, tenho muito medo porque já passei por alguns apertos. Já vi muitos acidentes por aqui e piorou muito depois que retiraram o quebra-molas de frente do ponto de ônibus”, relata.
O que será feito
No local do protesto, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentavam um acordo para liberar a rodovia. No início da madrugada, ficou acordado que a PRF intermediaria uma reunião com representante do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) do Espírito Santo, a fim de buscar uma solução para minimizar os acidentes na região.