Ana Paula Mill.
Cinco municípios – entre eles Marechal Floriano e Vargem Alta – estiveram reunidos nesta terça-feira (19) para tratar de um assunto muito importante: o aumento do número de capivaras. Os animais destroem as plantações, principalmente nas proximidades de córregos e rios, causando prejuízos à produção agrícola.
Por isso, os representantes dos municípios de Marechal Floriano, Anchieta, Vargem Alta, Domingos Martins e Venda Nova , além de representantes de sindicatos, Federação da Agricultura e a chefia local do Incaper, compareceram ao Centro de Agronegócios, em Marechal, para discutir o problema.
O secretário de Agricultura de Marechal Floriano, Ubaldino Saraiva, frisou que a capivara está se tornando uma praga, não só em Marechal Floriano, como também em outras regiões do Estado.
“Os produtores estão com dificuldades nas plantações, principalmente nas áreas mais planas, próximas aos córregos e rios. Por outro lado, temos que ter um critério técnico e científico, pois esses animais fazem parte do meio ambiente. Eles são considerados animais silvestres, mas não nativos da Mata Atlântica. Então, qualquer ação para se combater as capivaras tem que ser realizada com base em estudos, para não ocorrer danos ao meio ambiente e deve ser desenvolvida dentro do que é permitido pela legislação brasileira. O objetivo dessa reunião é traçar metas para o futuro, para que possamos resolver esse problema”, ressaltou o secretário.
O engenheiro agrônomo Edmar Binotti, da Sociedade dos Amigos de Pedreiras – Pedra Azul – explicou que a primeira capivara foi vista na região em 2003. Desde então, a população desses animais cresceu assustadoramente.
“Não temos nenhum documento que prove que a capivara seja nativa da Mata Atlântica. Os livros de pesquisas, como o ‘Atlas do Espírito Santo’ e ‘Animais da Mata Atlântica’ não relatam a existência da capivara nativa da Mata Atlântica. A Universidade de São Paulo (USP) identifica esse animal como nativo da Amazônia e do Pantanal, onde ele tem inimigos naturais que são a onça e o jacaré”, relatou o engenheiro agrônomo.
Edmar Binotti ainda continuou: “Aqui, na nossa região, a capivara já causa graves problemas agrícolas. E os produtores rurais são impedidos de defender o seu patrimônio por, no mínimo, quatro leis: a caça de animais silvestres, maus-tratos de animais, porte ilegal de arma (se usar arma de fogo) e, se houver mais de quatro pessoas agindo, formação de quadrilha. Ele fica impedido de tomar qualquer atitude para de defender e impedir a destruição do seu patrimônio”.
Paralelo a isso, o novo Código Florestal permite que o agricultor pratique a agrossilvicultura às margens de rios. “As culturas de palmito e banana, principalmente, são muito consumidas pelas capivaras. Isso retira totalmente a possibilidade de proteger as margens dos rios com esse tipo de cultura”, disse Edmar Binotti.
Em uma reunião entre a Secretaria de Estado da Agricultura, a Superintendência do Ibama, e a direção técnica do Idaf, ficou definido que, inicialmente, os municípios de Alfredo Chaves, Marechal Floriano, Domingos Martins, Venda Nova e Vargem Alta fizessem um levantamento dos danos causados. Esses dados serviram como base de estudo técnico, para promover o controle e a forma legalizada de reduzir o nível dos danos. Devido à importância do assunto, outros municípios se interessaram pelo assunto e também entraram no grupo de discussão do tema.
O prefeito de Marechal Floriano, Lidiney Gobbi, esteve na reunião. “Esse é um assunto de grande importância para todos nós. Apoiamos e acreditamos nas ações do grupo, que vai trabalhar da melhor maneira, dentro da legalidade, para diminuir esse problema.”


