“Mãe e filha caminham por estrada de terra batida (foto acima) em Presidente Kennedy”
A mãe carrega a filha pela mão até o posto de saúde por uma estrada de terra batida. A poeira as encobre, mas elas caminham indiferentes, no sol a pino. Mais à frente, populares conversam sobre a demora nas consultas médicas e sobre investidas para tentar emprego num dos principais empregadores da cidade: a prefeitura.
A cena, de uma cidadezinha simples do interior, é incompatível com o potencial da arrecadação municipal. Trata-se de Presidente Kennedy, Sul do Estado, de onde jorra dinheiro dos royalties de petróleo, mas sobram reclamações sobre a qualidade dos serviços. A obra da Avenida Orestes Bahiense é repleta de idas e vindas, suspeitas e adiamentos.
O aspecto não é exclusividade de Kennedy. O JORNAL GAZETA também percorreu Anchieta, também no Sul, e Linhares, no Norte do Estado, e constatou de perto o que impera no senso comum: as cidades são ricas, mas o dinheiro não chega a quem precisa.
“Para marcar e panhar um exame é 25 dias, um mês. Minha filha adoeceu e não consegui resolver aqui. Tive que pagar particular e fiquei sem dinheiro pra resolver o emplacamento da moto”, relatou o aposentado Pedro Luciano José, 75, morador de Presidente Kennedy e dependente do veículo como meio de transporte.
Patrícia Faria tem 17 anos, abandonou a escola na 8ª série, em Kennedy, e não trabalha. É mãe de Hugo Vinícius, de 7 meses. “Para marcar uma consulta demora pelo menos um mês. E nem sempre tem médico”, diz ela.

Walace, 18, e Patrícia Rocha, 22, têm dois filhos, de 1 e 3 anos. “Não temos perspectivas boas para cá. Queremos melhora de saúde, de empregos, de diversão. Não tem nada disso”, diz o lavrador.
Dinheiro
Em 2014, Presidente Kennedy foi a cidade capixaba que mais recebeu dinheiro de royalties e participações especiais do petróleo: R$ 288,1 milhões. Linhares, a terceira, R$ 113,2 milhões. Anchieta, por sua vez, é a que mais recebe repasse de ICMS. Os R$ 174,2 milhões repassados em 2014 corresponderam a 57,7% da receita corrente da cidade.
O ex-prefeito Reginaldo Quinta (PMDB) foi alvo da Operação Lee Oswald, em 2012, por suspeita de desviar R$ 55 milhões dos royalties. Preso, colocou a sobrinha, Amanda Quinta (ex-PTB, hoje no PSDB) para sucedê-lo. Agora, ambos romperam, viraram inimigos políticos e devem duelar na eleição deste ano.
Fonte: Rede Gazeta.


