sexta-feira,
19 de julho de 2024

Educadores pioneiros de Marechal Floriano

Giovana Schneider

Conforme relatório de Ministério da Agricultura de 1862/63, pelo Ministro e Secretário de Estado Pedro de Alcantara Bellegarde, onde menciona no relatório da Colônia de Santa Izabel, a fundação da Vila do Braço do Sul, em 1862. 

A partir desta data, teve o início do atual Município de Marechal Floriano, onde já menciona escolas, sendo os professores Gaspar Singer, austríaco católico em Santa Izabel e o pastor luterano Heinrich Eger, em Campinho. 

Fonte: Center for Research Libraryes Chicago – USA

No atual município de Marechal Floriano, os primeiros registros de professores que temos são do Ulrich Kuster, suíço, residente no Braço do Sul, o alemão Johann Hoffmann, na região do Sóido, margem direita do Rio Braço do Sul, todos de confissão luterana. Em 1862 a maioria dos colonos eram luteranos. Na outra margem, eram católicos, que já tinha sua escola. Este local hoje pertence a Domingos Martins, conhecido como Soído de Cima (Santa Úrsula). 

Na região do Braço do Sul, nesta época já tínhamos brasileiros, filhos de imigrantes da primeira leva, e brasileiros natos.

A maioria das crianças não frequentavam escolas. O governo provincial não tinha muito interesse em construir escolas. As que tinham, eram distantes. 

 O ensino caseiro predominou por muitos anos. Geralmente eram os mais velhos que ensinavam os mais jovens.

FAMÍLIA KUSTER

MARECHAL FLORIANO

Ulrich Kuster 

A primeira escola na antiga Vila do Braço do Sul foi em 1862, quando um jovem suíço de apenas 16 anos, Johannes Ulrich Kuster, começou a ensinar aos filhos de imigrantes. Sua escola ficava na atual rua Antenor dos Santos Braga. Também dava aula no Sítio de Hermann Hülle, em Bom Destino, hoje Fazenda Aparecida, Município de Alfredo Chaves. 

ARNALDO KUSTER  

Nasceu na Vila Braço do Sul, em 25 de setembro de 1898, filho de Ulrich Kuster. Traduziu a cartilha alemã para o português, sendo o primeiro professor da Vila de Marechal Floriano que dava aula em português na escola que seu pai fundou em 1886. Casou com Flores Passinato, que passou a ser Kuster e, que era também professora.

FLORES PASSINATO

Nasceu em 06 de junho de 1902, filha de imigrante italiano. Seu pai era o Giuseppe e a mãe Tereza Braido, ambos vieram da região de Treviso, Itália. Casou com Arnaldo Kuster, filho de Ulrich e Izabel Proescholdt. Faleceu em 01 de setembro de 1989. 

A PROFESSORA 

Em 1911 já cursava o 3º ano, na escola Modelo de Vitória. Pelo decreto de nº 5.461 de 07 de junho de 1923, assinado pelo Presidente do Estado Nestor Gomes, foi nomeada professora em Peixe Verde, município de Domingos Martins. Pelo decreto de nº 5.790 de 26 de janeiro de 1924, foi transferida para a escola Alto Batatal, município de Alfredo Chaves. A escola situada na fazenda do Manoel Endlich, mais conhecido como Manduquinha. Foi neste local que Flores conheceu seu esposo, Arnaldo Kuster.

Curiosidade:

Flores Passinato, na inauguração do trecho ferroviário entre as cidades de Cachoeiro do Itapemirim e Vitória, em junho de 191º, na estação de Matilde o Presidente da República Nilo Peçanha foi homenageado. A menina que fez o discurso, era Flores Passinato. 

Veja em anexo o Jornal O Paiz que fez a cobertura da viagem do presidente.  Em 1987, Flores relatou este episódio, onde falou da fotografia. A foto abaixo é da revista Da Semana – RJ.   Provavelmente Flores está entre as meninas da frente.

Filhas de Arnaldo Kuster e Flores Passinato Kuster. 

Foram também professoras:

Nadyr Kuster, Solange Kuster e Laura Kuster 

Em 2021 foi uma criada a AFHAL – Academia Florianense de História, Artes e Letras “Flores Passinato Kuster”. Uma justa homenagem.

Rua de Santana em Marechal Floriano – 1972. No fundo, depois do automóvel, a casa que serviu para orações, no período de construção a nova igreja. Prédio foi construído em 1913, como escola.

Foto: acervo Jair Littig 

GINÁSIO 

Era o ano de 1964, quando chegaram em Marechal Floriano, empregados do antigo D.N.E.R, vindos de Minas e Bahia. Entre eles estava José Gonçalves dos Santos, mais conhecido como Maroto. 

Tinha um conhecimento profunda da política brasileira, principalmente no período getulista. 

Antes de entrar na política, desempenhou com muito esforço na implantação de um ginásio em Marechal Floriano.  

Em 27 de setembro de 1967, a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade Gratuita, com a colaboração do Sr. Nicanor Paiva, presidente estadual da entidade, fundava o curso ginasial em Marechal Floriano.

UMA PEQUENA HOMENAGEM AOS NOSSOS DOCENTES

“O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das “ciências da educação” não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar. Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver: aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida. Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente, o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz e mais capaz de conviver com os outros. A maioria dos problemas da sociedade se resolveria se os indivíduos tivessem aprendido a pensar. Por não saber pensar tomamos as decisões políticas que não deveríamos tomar”. Rubem Alves

No meu blog “Cada um de nós compõe a sua história”, lá você vai encontrar mais a respeito dos “Pioneiros Educadores do Atual Município de Marechal Floriano/ES.”

https://giocsch.blogspot.com/  Giovana Schneider: Escritora, poeta, contista e colunista. Ocupante da cadeira de nº 06 da AFHAL (Academia Florianense de História, Artes e Letras “Flores Passinato Kuster”).

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