Eduardo Antunes/Rael Sérgio.
“Prefeito fala de realizações e planos futuros. Chefe do Executivo alfineta políticos que eram antigos rivais e agora caminham juntos”.
O prefeito de Marechal Floriano, concedeu entrevista ao portal Notícia Capixaba neste final de semana. O agora peemedebista falou sobre sua filiação no partido do governador Paulo Hartung, reeleição, crise, saúde e educação. Ele ainda alfinetou seu rival, o deputado João Carlos Lorenzoni (PP), “o Cacau”.
Gobbi mostrou uma leitura sobre o cenário político na cidade e criticou o grupo “do contra”, que, segundo ele, faz de tudo para seu governo não deslanchar.
Notícia Capixaba: Prefeito, o senhor vem sendo bombardeado nas ruas por um vereador que o ataca por ter se filiado em seu partido, o PMDB, como foi o processo de sua entrada no partido?
Lidiney Gobbi: Eu fico muito a vontade para falar sobre essa mudança, da minha chegada no PMDB, que veio sendo amadurecida após muitos convites de vários amigos, entre eles, do deputado federal, Lelo Coimbra, do Chico Donato, da deputada estadual Luzia Toledo, do senador Ricardo Ferraço (agora no PSDB) e da senadora Rose de Feitas, que nos ajudaram e continuam ajudando no desenvolvimento de Marechal Floriano.
Porém, no grupo que me seguia, há algumas pessoas que são individualistas e se rebelaram. Isso não me prejudica, prejudica sim a população. Porque quando inimigos se unem com fome de poder, eles não estão buscando benefícios para a população e sim preencher seu orgulho ferido, mas o coletivo deve nunca ser prejudicado pelo individual ou vaidade de político algum.
Notícia Capixaba: Sobre a crise e o andamento das obras, há críticas sobre suas realizações. Sua gestão está realizando obras?
Lidiney Gobbi: Eu disputei três eleições com muito pé no chão e agradeço a Deus e a minha família por ter sido abençoado recebendo o comando da cidade, acompanhei as palestras do Paulo Hartung pelo estado e me esclareceu muito. Ele deixou bem claro que nos oito anos de seu governo, a fase era de crescimento no mundo e no Brasil. A crise de 2010 não havia afetado o Estado, nem os municípios pelo aporte econômico com os royalties de petróleo.
Em 2012 disputei com a certeza de que perderia os recursos do FUNDAP, mas infelizmente, a gestão anterior não se preparou para a perda de receita e a crise, que eram de conhecimento de todos. Foi perdido R$ 294 mil na época para custeio e quando você perde esse recurso no orçamento, diminui o montante a ser pago aos servidores que é 54% (da dotação orçamentária).
Também a União com desconto no IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) recaiu sobre os municípios, pela diminuição do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Dos royalties que era repassado R$ 400 mil, e hoje são apenas R$ 180 mil. Se somar perdas em R$700 mil entre royalties, FUNDAP e FPM mensais, imagine em 36 meses.
Pagamos multas de obras pagas e não concluídas de quadra esportiva, unidade de saúde, escola e também cursos que não havia documentos comprovando sua realização. Também dívida de PIS/PASEP dos servidores.
Contrato de lixo vencido e contas da coleta de lixo a serem pagas também foram aparecendo. Aí tenho que reconhecer e agradecer ao prefeito Carlinhos Borboleta (Domingos Martins) que nos cedeu caminhão coletor e carro-pipa, para a limpeza da cidade até conseguirmos pagar essas contas.
Nesse momento de crise, Marechal Floriano foi o município que começou uma gestão sem equipamentos no Estado e, o pior, até computador e algumas chaves a gente não tinha. Na época houve ainda queima de documentos, que estão com provas sendo investigadas na Polícia Civil.
Por isso, essa falta de gestão responsável – a construção da rotunda do trem, as obras inacabadas da Feira da Roça, de quadra em Araguaia e Soído, da unidade de saúde de Bom Jesus, a reforma da escola de Victor Hugo e entre outras – precisamos pagar multas por que os governos do estado e federal cobraram pelo pagamento de recursos onde as obras não tinham sido concluídas.
Com toda essa irresponsabilidade, tivemos que pagar cerca de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões. Houve também uma dívida de R$ 1.600.000 de INSS que precisamos acertar. Os servidores estavam tendo dificuldade para se aposentar com isso.
Notícia Capixaba: E como o senhor fez para desenrolar essas contas?
Lidiney Gobbi: Eu me perguntava como faria para pagar essas dívidas quando tinha perdido recursos do FUNDAP, FPM e royalties. Eu me dediquei, ficava até a madrugada no gabinete estudando saídas possíveis.
Tenho que pedir desculpas a minha família e aos munícipes, por que precisei parar para acertar e, depois, conseguir fazer o planejado. Foi aí que os amigos e aliados do PMDB me abraçaram e ajudaram. Conseguimos emendas parlamentares e recursos para realizar as obras. A minha tranquilidade em ir para o PMDB foi pela parceria na hora difícil, eles me abraçaram e fizeram Marechal (Floriano) não parar.
Eu trabalhei na emancipação de Marechal Floriano. A primeira creche, a Flomiro Endlich Canal Neto, foi construída por um convênio que fui atrás quando a cidade ainda fazia parte de Domingos Martins.
As unidades de saúde de Santa Maria, Araguaia, Victor Hugo e Bom Jesus foram reformadas e adequadas. Na gestão anterior, havia R$ 500 mil destinados à compra de equipamentos para a saúde e preferiram perder esses recursos por politicagem.
Em 2013, busquei recursos do PAC para essas obras na saúde e o serviço de odontologia estava praticamente parado. Conseguimos emenda com o senador Ricardo Ferraço, onde foi destinado R$ 500 mil para a compra de equipamentos dos consultórios odontológicos. Saúde e educação são minhas prioridades.
O plantão médico passou de R$ 480 para R$ 2 mil. Tive que fazer estudo de impacto financeiro, negociar dívidas e encontrar meios para economizar e aumentar a receita.
Aí vieram obras e ações para alavancar o turismo, a agricultura e o esporte e a cultura. O que fizemos nesses três anos, não foi feito desde a emancipação. Sempre fui parceiro das associações, ajudando nos eventos culturais nas comunidades.
Hoje, 80% do meu plano de governo foi cumprido. Há a previsão de obras na unidade de saúde de Santa Rita, reforma e ampliação também na de Rio Fundo e no Vello Puppim (Sede). São emendas que estão para serem liberadas e também recursos para pavimentação de estradas.
Haverá pavimentação em Boa Esperança, da BR-262 a Alto Nova Almeida, o trecho entre o zoológico até a Igreja de Santo Antônio também será pavimentado, ligando Rio Fundo a Araguaia.
Notícia Capixaba: E a educação, como atua nessa área?
Lidiney Gobbi: O convênio de R$ 8 milhões para a construção da escola da sede, que vai absorver a demanda que hoje está nas escolas Elisiário Ferreira Filho, Mauro Christo e a creche Vovó Fernandina é histórico. Também reformamos e ampliamos a quadra da escola de Bom Jesus.
A obra da escola em Soído recebeu até a visita do governador Paulo Hartung e do vice, Cezar Colnago. Nas reuniões do Orçamento Participativo, a comunidade de Soído de Baixo indicou uma escola, campo de futebol e a unidade de saúde – que será parecida com a de Araguaia.
Quero voltar com a “Escola do Campo” – quem mora em Soído, deve estudar em Soído, aluno de Araguaia vai estudar lá e o morador de Victor Hugo, a mesma coisa.
Temos um problema com a justiça para realizar a obra dessa escola (Victor Hugo), pois a obra foi paga sem executar o serviço, mas os estudantes nos dão bons exemplos, diferente de alguns políticos. Eles são destaque em notas no IDEB, ENEM e temos medalhistas nas olimpíadas estudantis, nos destacando em nível estadual e nacional. Um orgulho para a cidade.
Aproveitando que falei em Soído e suas obras, vale lembrar que todas comunidades estão sendo valorizadas por nossa gestão, a média de investimento foi bem dividida entre elas.
Notícia Capixaba: E a mudança?
Lidiney Gobbi: Dei autonomia a todo meu secretariado e aos servidores, a mudança não é só mudar de gestão é o modo de ser. Hoje não vemos ditadura na prefeitura, saímos dos tempos do coronelismo e os servidores podem protestar e se posicionar sem serem perseguidos.
“Além da crise ética que vivemos no nosso país, hoje vemos a prática da politicagem com pessoas que querem nos impedir de fazer algo bom para o coletivo”.
O político que fala mal, que faz fofoca, a comunidade deve avaliar. Essa é a mudança. Sempre busco conversar com as pessoas na rua e meu número de telefone é o mesmo.
Notícia Capixaba: O deputado Cacau afirmou na entrevista dele que a cidade está sucateada e precisa se desenvolver. O que o senhor tem a falar sobre as colocações do seu rival?
Lidiney Gobbi: Eu dou meus parabéns ao deputado, porque Itaparica, em Vila Velha, se desenvolveu muito, ele deve vir mais em Marechal Floriano e mostrar os recursos que ainda não trouxe para a cidade.
Convido-o a vir fazer parte da gestão para conhecer. O plantão médico que eles pagavam R$ 480, agora passou a ser pago R$ 2 mil. Ele deveria parar de colocar acusações. Se ele vir a Marechal eu o apresento, por que ele não conhece a cidade, pois reside em Vila Velha e está achando errado sobre os avanços de Marechal Floriano.
Notícia Capixaba: O que o senhor pode falar para o cidadão em suas considerações finais?
Lidiney Gobbi: Peço a todos que participem mais, por que não vivemos apenas uma crise financeira, mas também uma crise ética e os munícipes devem ocupar seu lugar. Estamos em fevereiro e o servidor já recebeu seu salário antes mesmo de acabar o mês. No Espírito Santo isso não é comum.
Me proponho a estabelecer um diálogo com todos, desde os mais jovens, até a terceira idade. A mudança está em curso. Dei autonomia aos dez secretários. A dívida com INSS estava dificultando aos servidores que queriam se aposentar. Tenho hoje o compromisso de honrar com os salários dos servidores e os encargos trabalhistas. A “Sou Feliz” e a Pestalozzi, por exemplo, estão sendo ajudadas nesse momento de crise.


