sexta-feira,
17 de julho de 2026

Política

Delação da Odebrecht: políticos cachoeirenses suspeitos de pedir doação para eleger o deputado

O ex-diretor regional da Odebrecht, Renato Amaury Medeiros (foto) acusa o atual secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Trabalho, Carlos Casteglione e o advogado José Irineu – ambos do PT, de terem solicitado R$ 2 milhões para eleger o deputado estadual Rodrigo Coelho, nas eleições de 2014.

amaurySegundo ele, R$ 640 mil foram pagos, em três parcelas. A primeira no final de 2013, no valor de R$ 240 mil, e as outras duas, de 200, até a metade do ano da eleição. O recurso seria oriundo de departamento de operações estruturadas, uma espécie de central de propinas montado para irrigar campanhas eleitorais e o bolso dos políticos de maneira criminosa.

"Na planilha da Odebrecht, os três políticos cachoeirenses são indicados com o mesmo codinome: Gavião".

O delator revel o pedido lhe foi feito pessoalmente, numa reunião no edifício Office Tower, em Vitória, na única vez em que esteve pessoalmente com Casteglione, na época prefeito de Cachoeiro, e Irineu, que presidia o diretório municipal do PT, a pedido dos políticos cachoeirenses.

Eles, segundo o delator, pediram R$ 2 milhões para a campanha de Rodrigo, com quem não se encontrou, sob a argumentação de que a campanha é cara, pois precisaria ser feita em todo o estado. O objetivo, diz Ribeiro em depoimento, era conseguir votação expressiva para dar ao deputado, que na época era filiado ao PT, cacife para suceder Casteglione na prefeitura.

“Não prometi nada e levei este tema a Fernando Cunha Reis (ex-presidente da Odebrecht Ambiental), que determinou o valor de mais R$ 400 mil, fora os R$ 240 mil que haviam sido repassados no segundo semestre de 2013 ". Os pagamentos, segundo acusa o ex-diretor da Odebrecht, eram feitos a José Irineu.

Amarury revelo que procurou identificar lideranças políticas que fossem favoráveis à concessão do saneamento, a pedido de Fernando Cunha Reis e por isso decidiu apoiar o PT já que o prefeito na época era Casteglione e o presidente do diretório do partido, José Irineu.

“Fernando autorizou que fizéssemos as contribuições e determinou que fossem feitas em caixa dois. Do meu ponto de vista, os pagamentos mantinham a normalidade com o contrato de concessão de esgoto, do ponto de vista deles, os pagamentos ajudavam a eleger candidatos do PT", explica o delator.

A Odebrecht opera o serviço de água e esgoto no município. A concessão foi comprada em julho de 2008 da então detentora Citágua, empresa do grupo Águia Branca, após dez anos de operação. Pouco antes da transferência, em 2006, o prazo do contrato, que era de 30 anos (até 2028), prorrogável por mais 20, foi estendido para 37 anos (até 2035), ainda prorrogável. Até 2014 operou com o nome Foz do Brasil, que então foi alterado Odebrecht Ambiental, como até hoje.

Envolvidos negam contato

Rodrigo Coelho afirma que jamais pediu ou autorizou pedidos em seu nome à Odebecht. José Irineu e Carlos Casteglione também negam envolvimento

Casteglione assumiu a prefeitura em janeiro de 2009, logo depois da venda da concessão e, reeleito em 2012, permaneceu até o fim de 2016. Em entrevista ao jornal A Gazeta sobre a delação, disse que nunca se encontrou com ninguém da Odebrecht e que quando assumiu a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, em 2008, já existia o contrato de concessão com a construtora.

“Minha relação com funcionários da empreiteira era totalmente institucional, não conheço nenhum Renato Amaury Medeiros. Minhas prestações de contas estão todas aprovadas. Nunca solicitei recurso para a eleição do deputado Rodrigo. Em momento oportuno vou me defender e provar que nunca tive relação com isso", afirmou.

Ao mesmo jornal, Rodrigo Coelho reiterou que jamais se encontrou com qualquer executivo da Odebrecht e que não autorizou a utilização de seu nome para fins que não se coadunam com a legislação eleitoral.

Não foi possível contatar José Irineu, mas em entrevista ao FATO, assim que seu envolvimento foi revelado, disse que Casteglione tem todas as suas contas aprovadas e não tem com o que se preocupar. "Eles terão que provar. Irei me defender e não tenho motivo algum para temer qualquer coisa. Certamente será provada a minha inocência", disse.

O processo foi relatado pela Procuradoria-Geral da República e enviado ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin. Como os citados não possuem foro privilegiado, o termo de delação de Renato Amaury Medeiros foi repassado à Procuradoria Regional da República.

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