Por Giovana Schneider
“Após completar um ano e meio à frente do Executivo de Marechal Floriano, o prefeito apresenta avanços fiscais, rebate acusações de comissão parlamentar e prega união pelo município“
Em entrevista exclusiva concedida ao Portal Notícia Capixaba, o prefeito de Marechal Floriano, Lidiney Gobbi, fez um balanço detalhado dos primeiros 16 meses de sua segunda gestão à frente do município. Além de prestar contas sobre o saneamento das finanças e as ações estruturais desenvolvidas até aqui, o prefeito quebrou o silêncio e abordou de frente o assunto que tem movimentado os bastidores políticos locais: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em andamento na Câmara de Vereadores.
Quem é Lidiney Gobbi? O Perfil do Gestor
Natural de Guarapari, mas com vida pública consolidada na região serrana capixaba, Antônio Lidiney Gobbi tem 63 anos e construiu sua carreira profissional nos bastidores da administração pública como servidor municipal concursado.
Gobbi tem uma longa carreira dedicada ao município. Servidor público desde 1993, tornou-se efetivo em 1995. Em 2000, elegeu-se vereador e tomou posse no início de 2001. No entanto, permaneceu na Câmara por apenas sete meses, deixando a cadeira no Legislativo para assumir a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. Foi eleito prefeito de Marechal Floriano por duas vezes:
— Primeiro mandato: De 2013 a 2016 (eleito no pleito de 2012).
— Segundo mandato (atual): Iniciado em janeiro de 2025 (após vencer as eleições de outubro de 2024).
Ele também disputou outras eleições no município ao longo dos anos, chegando a concorrer como vice-prefeito em 2020. Como titular da cadeira do Executivo, venceu e assumiu o cargo nas duas ocasiões citadas.

Entrevista Exclusiva
Notícia Capixaba (NC): Prefeito, o senhor assumiu este mandato já conhecendo a máquina pública de Marechal Floriano por sua experiência anterior. Passados 16 meses, qual é o balanço real dessa nova gestão? O município que o senhor reencontrou exigiu um modelo de governança muito diferente daquele que o senhor praticava no passado?
Lidiney Gobbi: Com certeza exigiu um modelo diferente, muito mais firme e focado em arrumar a casa. Sou servidor de carreira há mais de 32 anos aqui, conheço cada canto de Marechal Floriano e tive a honra de ter minhas contas aprovadas quando fui prefeito em meu primeiro mandato.
Mas o cenário que encontrei em janeiro de 2025 foi de extrema cautela. O município havia fechado o ano de 2024 com um déficit orçamentário de R$ 10,61 milhões, gastando mais do que arrecadava. Além disso, as despesas de custeio representaram 100,07% das receitas correntes arrecadadas, extrapolando o limite legal permitido, que é de 95%. Isso evidenciava que a manutenção da máquina pública consumia todos os recursos, não sobrando nada para investimentos. Tivemos que aplicar um esforço enorme de austeridade para reequilibrar as contas.
O balanço real de hoje é de superação: com muito trabalho, revertemos esse quadro e reduzimos o comprometimento das despesas de custeio para 90,62% em relação às receitas correntes, retornando para a legalidade. Além disso, encerramos o exercício financeiro de 2025 com um superávit orçamentário de R$ 8,5 milhões, o que gerou a liquidez necessária para pagarmos os compromissos herdados.
NC: Para além da crise política atual, quais foram os principais gargalos administrativos, financeiros ou estruturais que a sua equipe enfrentou para tirar as promessas de campanha do papel nesses primeiros 16 meses?
Lidiney Gobbi: O maior gargalo foi a baixíssima capacidade de investimento e um quadro de servidores desmotivados. Financeiramente, a prefeitura estava sufocada. Como tirar projetos do papel sem dinheiro em caixa? Nós dependemos muito do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de emendas parlamentares.
Nesses primeiros meses, nosso esforço foi cortar na própria carne. Conseguimos uma redução drástica de 9,27 pontos percentuais nas despesas correntes, que caíram para 90,80%. Ainda buscamos atingir o limite ideal de 85%, mas esse controle rigoroso foi o desafio diário para garantir que a prefeitura voltasse a respirar.
NC: Se o senhor tivesse que apresentar hoje à população a principal marca ou a entrega mais relevante da sua administração até aqui, qual seria?
Lidiney Gobbi: Sem dúvida, a principal marca é a responsabilidade e a devolução da saúde financeira ao nosso município. Não há obra maior do que limpar o nome da cidade e garantir que os serviços básicos funcionem. Nossa Dívida Consolidada Líquida melhorou de -12,91% para -21,34%. Isso significa, em linguagem simples, que hoje a prefeitura tem mais dinheiro em caixa para honrar seus compromissos imediatos do que dívidas acumuladas. Estamos fortalecendo o patrimônio público para que Marechal Floriano volte a crescer de forma sustentável. Isso gera críticas e dúvidas agora, mas lá na frente o tempo vai mostrar que estamos no caminho certo.
Comunicação e Redes sociais
NC: Muitos prefeitos evitam as redes sociais por medo da cobrança. O senhor acha que a exposição digital ajuda a cobrar mais a sua própria equipe por resultados?
Lidiney Gobbi: Ajuda e muito! Eu não tenho medo de cobrança porque quem não deve, não teme. A rede social aproxima o prefeito da dona de casa, do agricultor, do comerciante. Quando a população cobra ali, de forma transparente, eu pego essa demanda, levo para a equipe e digo: “olha aqui, o povo está precisando disso resolvido”. É uma ferramenta fantástica de transparência.
NC: Quem acompanha suas redes percebe que o tom é bem dinâmico. Os vídeos e postagens partem de ideias do senhor mesmo ou a equipe de comunicação tem passe livre para criar?
Lidiney Gobbi: É um trabalho em conjunto, mas a essência é minha. Eu sou um cara simples, gosto de falar a língua do povo. A equipe de comunicação me ajuda a pegar dados complexos como explicar que acumulamos R$ 16,09 milhões para pagar os Restos a Pagar que herdamos e transformar isso em algo que qualquer cidadão consiga entender rapidamente no celular. Eles têm liberdade, mas a transparência e a simplicidade são inegociáveis.
NC: Qual é o maior desafio de ser um prefeito “conectado” em uma era de tanta polarização na internet?
Lidiney Gobbi: O maior desafio é separar a crítica construtiva do ataque político maldoso. Na internet, às vezes, o ódio fala mais alto que a razão. Mas o segredo é não entrar nessa pilha. Eu uso as redes para prestar contas, mostrar o controle eficiente de gastos que estamos fazendo e ouvir as demandas reais. O resto, a gente ignora e continua trabalhando (risos).
Infraestrutura: Interior x Sede
NC: Prefeito, o senhor fala muito e dá um grande destaque às obras nas estradas vicinais. Como o senhor equilibra os investimentos e a atenção entre a zona rural e as demandas de infraestrutura da sede do município?
Lidiney Gobbi: A nossa zona rural é o coração pulsante da nossa economia; se o produtor não consegue escoar a colheita, a cidade toda sofre. O equilíbrio vem do planejamento. Nós dependemos fortemente da busca de recursos estaduais, federais e emendas de bancada para realizar esses anseios. Com o município recuperando a saúde fiscal, fica mais fácil bater na porta dos deputados e do governador, garantindo recursos tanto para as estradas do interior quanto para a infraestrutura da sede.
NC: O senhor se considera um prefeito mais itinerante, que gosta de despachar da rua e fiscalizar as obras de perto, ou prefere o olho no olho e a estratégia do gabinete?
Lidiney Gobbi: Os dois! O gabinete foi fundamental nestes primeiros meses para frear o desperdício, cortar despesas e arrumar as contas. Sem essa estratégia interna, a prefeitura estaria em situação muito ruim, mas a minha paixão é a rua. É na rua que você olha no olho do morador, vê a obra acontecendo e entende se a máquina pública está de fato servindo às pessoas.
NC: Alguns críticos dizem que prefeito que fica muito na rua não planeja, e outros dizem que quem fica muito no gabinete não conhece a realidade. Como o senhor rebate isso e define o seu estilo?
Lidiney Gobbi: Eu defino meu estilo como o de um gestor equilibrado e incansável. Os números que nosso balanço fiscal mostra provam que o planejamento no gabinete está funcionando, revertendo um déficit em superávit em menos de um ano. E as minhas andanças pelas ruas provam que não perdi o contato com o povo. Tenho 32 anos de prefeitura; eu conheço a realidade do município de ponta a ponta. Planejo com responsabilidade para poder entregar com agilidade na rua.
Relação com o Legislativo e CPI
NC: A Câmara de Vereadores subiu o tom com a abertura de uma CPI. O Executivo enxerga essa investigação como um ato legítimo de fiscalização ou como uma manobra puramente política da oposição?
Lidiney Gobbi: Sempre respeitei a Câmara e considero a fiscalização fundamental. No entanto, é preciso falar a verdade para a nossa população: com apenas oito meses de gestão, quando os primeiros grandes avanços começaram a aparecer, abriram uma Comissão Processante com o claro intuito político de me afastar.
Na sequência, veio essa CPI sobre um contrato de gestão da saúde, que é uma prerrogativa exclusiva da Secretaria de Saúde. Tenho 32 anos de serviço público efetivo e nenhum processo que desabone minha conduta. Não guardo mágoa de nenhum vereador. Pelo contrário, faço um apelohumilde e sincero a eles:Marechal Floriano precisa de nós unidos. Precisamos dialogar e aprovar os projetos que a população tanto espera.
NC: Como a prefeitura tem respondido aos pedidos de informação da CPI? Que garantias a população de Marechal Floriano tem de que a gestão está agindo com total transparência e colaborando com as investigações?
Lidiney Gobbi: A Prefeitura de Marechal Floriano tem atendido, dentro dos limites legais e administrativos, às solicitações formalmente encaminhadas pelos órgãos competentes, fornecendo documentos, informações e esclarecimentos quando requisitados. Nossa orientação sempre foi a de cooperação institucional, respeitando a autonomia e as atribuições de cada órgão de controle.
A população pode ter a tranquilidade de que a administração municipal permanece comprometida com a transparência, com a correta aplicação dos recursos públicos e com o esclarecimento dos fatos. Eventuais questionamentos ou divergências estão sendo tratados pelos canais institucionais adequados, sempre observando o devido processo legal e o direito de defesa.
NC: O tensionamento com a Câmara inevitavelmente contamina o ambiente da cidade. Esse clima de “terremoto político” já começou a paralisar secretarias, atrasar obras ou afetar o ritmo das entregas da prefeitura?
Lidiney Gobbi: A administração municipal permanece funcionando normalmente. Os serviços públicos essenciais continuam sendo prestados e as secretarias seguem executando suas atividades, projetos e programas de acordo com o planejamento estabelecido. Naturalmente, debates políticos fazem parte do ambiente democrático, mas a orientação da gestão é manter o foco no atendimento à população e na continuidade das ações administrativas. Nosso compromisso é garantir que eventuais discussões institucionais não prejudiquem a prestação dos serviços públicos nem os investimentos em andamento.
Além disso, é importante destacar que a atual gestão enfrentou dificuldades institucionais decorrentes da aprovação, pela Câmara Municipal, da Lei Orçamentária com dispositivos que restringiram significativamente a execução orçamentária do Poder Executivo. Diante da existência de vícios de constitucionalidade que comprometiam a autonomia administrativa e financeira do Município, a Prefeitura adotou a via institucional adequada, ajuizando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo. A referida ação encontra-se regularmente em tramitação, aguardando julgamento. Isso demonstra que eventuais divergências entre os Poderes têm sido tratadas pelos meios previstos na Constituição e no ordenamento jurídico, sem paralisação da administração pública e sem prejuízo à continuidade da prestação dos serviços essenciais à população.
NC: Os indícios apontados pela CPI miram diretamente a pasta da Saúde, uma área extremamente sensível para a população. Como o senhor justifica a aplicação das verbas carimbadas do setor e o que há, de fato, de concreto na prestação de contas desses contratos?
Lidiney Gobbi: Os recursos destinados à saúde possuem destinação específica e sua aplicação ocorre dentro das regras estabelecidas pela legislação vigente, sendo submetida aos mecanismos de controle interno e externo existentes. Toda a documentação relacionada aos contratos e à execução dos serviços encontra-se sujeita à fiscalização dos órgãos competentes e aos procedimentos de prestação de contas legalmente previstos. É importante destacar que a análise definitiva de eventuais apontamentos depende da avaliação técnica e jurídica dos órgãos responsáveis, não cabendo antecipar conclusões antes do término dos procedimentos em curso.
NC: Se a defesa do senhor sustenta que as contas e contratos da Saúde estão regulares, como o senhor explica o fato de a oposição ter conseguido articular elementos e votos suficientes para abrir um processo de cassação? O senhor subestimou a articulação política da Câmara?
Lidiney Gobbi: A abertura de procedimentos políticos e administrativos faz parte das prerrogativas institucionais do Poder Legislativo e deve ser respeitada dentro do regime democrático. A existência de um procedimento, entretanto, não representa, por si só, confirmação de irregularidades. As questões levantadas estão sendo analisadas nas instâncias competentes, observando-se o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.
Quanto ao relacionamento institucional com a Câmara Municipal, a administração mantém sua disposição para o diálogo respeitoso e republicano, sempre buscando a cooperação entre os Poderes em benefício da população de Marechal Floriano. O foco da gestão continua sendo a continuidade dos serviços públicos e o atendimento das demandas da comunidade.
NC: O cidadão de Marechal Floriano assiste a esse cenário com preocupação e cansaço da polarização. Olhando diretamente para o morador que confiou o voto ao senhor, qual é a sua mensagem de defesa e o que o senhor garante sobre o futuro do seu mandato?
Lidiney Gobbi: Para você, morador, que me conhece e confiou em mim: eu também sinto tristeza quando o diálogo é esquecido e dá lugar a ofensas contra mim e minha família. Mas a minha defesa é o trabalho e os números limpos que estamos apresentando. Minha garantia para o futuro é que não vou me curvar diante de brigas políticas. O nosso plano de governo vai avançar. Eu peço a união de todos, da população e dos vereadores, porque a eleição acabou. Agora é a hora de arregaçar as mangas e trabalhar por quem mais precisa.

Saúde em Transformação: O Avanço da Rede Municipal
Marechal Floriano vive um momento de reestruturação e ampliação de sua rede pública de saúde. Com foco no fortalecimento da Atenção Primária, a gestão municipal tem investido na expansão de equipes, na qualificação dos atendimentos e na oferta de novas especialidades, visando um cuidado mais humanizado e resolutivo.
Pilares da Transformação
• Atenção Primária Fortalecida: O município conta com sete Equipes de Saúde da Família (ESF) e uma média de um médico para cada 2.200 habitantes, índice de referência nacional. A reorganização dos atendimentos permitiu alcançar a marca de 3.094 consultas mensais.
• Rede de Urgência e Emergência: O Centro de Saúde Dr. Ary Ribeiro da Silva oferece pronto atendimento 24h em clínica geral e pediatria (de segunda a sexta-feira), atendendo cerca de 2.000 pessoas mensalmente. O serviço de Raio-X foi ampliado, funcionando agora diariamente das 08h às 20h.
• Especialidades e Multiprofissionalismo: A rede passou a oferecer um leque ampliado de especialidades, incluindo Geriatria, Neuropediatria, Cardiologia, Ortopedia e Ginecologia. Além disso, a inserção de farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais nas unidades promove um cuidado integrado.
• Reabilitação e Apoio: O setor de Fisioterapia realiza cerca de 450 atendimentos mensais, com destaque para o Grupo de Doenças Crônicas, que promove saúde para idosos. O Transporte Sanitário atende, em média, 150 pacientes diariamente, garantindo acesso a tratamentos fora do domicílio.
Destaques em Serviços
| Serviço | Detalhes do Atendimento |
| Pediatria | Atendimento semanal com o Dr. Cesar Vello Puppin e quinzenal na unidade de Santa Rita. |
| Raio-X | Plantão de 12 horas diárias (08h às 20h), sete dias por semana. |
| Assistência | Implantação de farmacêuticos nas unidades e novos veículos exclusivos para as equipes de ESF. |
| Saúde Bucal | Acolhimento, diagnóstico e planos de tratamento individualizados. |
A Palavra da Gestão
“Cuidar da saúde das pessoas é a maior missão da nossa gestão. Os resultados que Marechal Floriano vem alcançando demonstram que, quando há planejamento, investimento e valorização dos profissionais, é possível transformar a saúde pública.”
— Lidiney Gobbi, Prefeito Municipal.
“Seguiremos trabalhando com dedicação, responsabilidade e sensibilidade para oferecer uma rede cada vez mais forte, humana e eficiente, porque cuidar das pessoas sempre será a nossa maior prioridade.”
— Ramom Rigoni Gobetti, Secretário Municipal de Saúde.


