quinta-feira,
02 de julho de 2026

Política

Em meio a embate com a CPI, prefeito de Marechal Floriano quebra o silêncio e defende legado fiscal

Por Giovana Schneider

Após completar um ano e meio à frente do Executivo de Marechal Floriano, o prefeito apresenta avanços fiscais, rebate acusações de comissão parlamentar e prega união pelo município

Em entrevista exclusiva concedida ao Portal Notícia Capixaba, o prefeito de Marechal Floriano, Lidiney Gobbi, fez um balanço detalhado dos primeiros 16 meses de sua segunda gestão à frente do município. Além de prestar contas sobre o saneamento das finanças e as ações estruturais desenvolvidas até aqui, o prefeito quebrou o silêncio e abordou de frente o assunto que tem movimentado os bastidores políticos locais: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em andamento na Câmara de Vereadores.

Quem é Lidiney Gobbi? O Perfil do Gestor

Natural de Guarapari, mas com vida pública consolidada na região serrana capixaba, Antônio Lidiney Gobbi tem 63 anos e construiu sua carreira profissional nos bastidores da administração pública como servidor municipal concursado.

Gobbi tem uma longa carreira dedicada ao município. Servidor público desde 1993, tornou-se efetivo em 1995. Em 2000, elegeu-se vereador e tomou posse no início de 2001. No entanto, permaneceu na Câmara por apenas sete meses, deixando a cadeira no Legislativo para assumir a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. Foi eleito prefeito de Marechal Floriano por duas vezes:

— Primeiro mandato: De 2013 a 2016 (eleito no pleito de 2012).

— Segundo mandato (atual): Iniciado em janeiro de 2025 (após vencer as eleições de outubro de 2024).

Ele também disputou outras eleições no município ao longo dos anos, chegando a concorrer como vice-prefeito em 2020. Como titular da cadeira do Executivo, venceu e assumiu o cargo nas duas ocasiões citadas.

Entrevista Exclusiva

Notícia Capixaba (NC): Prefeito, o senhor assumiu este mandato já conhecendo a máquina pública de Marechal Floriano por sua experiência anterior. Passados 16 meses, qual é o balanço real dessa nova gestão? O município que o senhor reencontrou exigiu um modelo de governança muito diferente daquele que o senhor praticava no passado?

Lidiney Gobbi: Com certeza exigiu um modelo diferente, muito mais firme e focado em arrumar a casa. Sou servidor de carreira há mais de 32 anos aqui, conheço cada canto de Marechal Floriano e tive a honra de ter minhas contas aprovadas quando fui prefeito em meu primeiro mandato.

Mas o cenário que encontrei em janeiro de 2025 foi de extrema cautela. O município havia fechado o ano de 2024 com um déficit orçamentário de R$ 10,61 milhões, gastando mais do que arrecadava. Além disso, as despesas de custeio representaram 100,07% das receitas correntes arrecadadas, extrapolando o limite legal permitido, que é de 95%. Isso evidenciava que a manutenção da máquina pública consumia todos os recursos, não sobrando nada para investimentos. Tivemos que aplicar um esforço enorme de austeridade para reequilibrar as contas.

O balanço real de hoje é de superação: com muito trabalho, revertemos esse quadro e reduzimos o comprometimento das despesas de custeio para 90,62% em relação às receitas correntes, retornando para a legalidade. Além disso, encerramos o exercício financeiro de 2025 com um superávit orçamentário de R$ 8,5 milhões, o que gerou a liquidez necessária para pagarmos os compromissos herdados.

NC: Para além da crise política atual, quais foram os principais gargalos administrativos, financeiros ou estruturais que a sua equipe enfrentou para tirar as promessas de campanha do papel nesses primeiros 16 meses?

Lidiney Gobbi: O maior gargalo foi a baixíssima capacidade de investimento e um quadro de servidores desmotivados. Financeiramente, a prefeitura estava sufocada. Como tirar projetos do papel sem dinheiro em caixa? Nós dependemos muito do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de emendas parlamentares.

Nesses primeiros meses, nosso esforço foi cortar na própria carne. Conseguimos uma redução drástica de 9,27 pontos percentuais nas despesas correntes, que caíram para 90,80%. Ainda buscamos atingir o limite ideal de 85%, mas esse controle rigoroso foi o desafio diário para garantir que a prefeitura voltasse a respirar.

NC: Se o senhor tivesse que apresentar hoje à população a principal marca ou a entrega mais relevante da sua administração até aqui, qual seria?

Lidiney Gobbi: Sem dúvida, a principal marca é a responsabilidade e a devolução da saúde financeira ao nosso município. Não há obra maior do que limpar o nome da cidade e garantir que os serviços básicos funcionem. Nossa Dívida Consolidada Líquida melhorou de -12,91% para -21,34%. Isso significa, em linguagem simples, que hoje a prefeitura tem mais dinheiro em caixa para honrar seus compromissos imediatos do que dívidas acumuladas. Estamos fortalecendo o patrimônio público para que Marechal Floriano volte a crescer de forma sustentável. Isso gera críticas e dúvidas agora, mas lá na frente o tempo vai mostrar que estamos no caminho certo.

Comunicação e Redes sociais

NC: Muitos prefeitos evitam as redes sociais por medo da cobrança. O senhor acha que a exposição digital ajuda a cobrar mais a sua própria equipe por resultados?

Lidiney Gobbi: Ajuda e muito! Eu não tenho medo de cobrança porque quem não deve, não teme. A rede social aproxima o prefeito da dona de casa, do agricultor, do comerciante. Quando a população cobra ali, de forma transparente, eu pego essa demanda, levo para a equipe e digo: “olha aqui, o povo está precisando disso resolvido”. É uma ferramenta fantástica de transparência.

NC: Quem acompanha suas redes percebe que o tom é bem dinâmico. Os vídeos e postagens partem de ideias do senhor mesmo ou a equipe de comunicação tem passe livre para criar?

Lidiney Gobbi: É um trabalho em conjunto, mas a essência é minha. Eu sou um cara simples, gosto de falar a língua do povo. A equipe de comunicação me ajuda a pegar dados complexos como explicar que acumulamos R$ 16,09 milhões para pagar os Restos a Pagar que herdamos e transformar isso em algo que qualquer cidadão consiga entender rapidamente no celular. Eles têm liberdade, mas a transparência e a simplicidade são inegociáveis.

NC: Qual é o maior desafio de ser um prefeito “conectado” em uma era de tanta polarização na internet?

Lidiney Gobbi: O maior desafio é separar a crítica construtiva do ataque político maldoso. Na internet, às vezes, o ódio fala mais alto que a razão. Mas o segredo é não entrar nessa pilha. Eu uso as redes para prestar contas, mostrar o controle eficiente de gastos que estamos fazendo e ouvir as demandas reais. O resto, a gente ignora e continua trabalhando (risos).

Infraestrutura: Interior x Sede

NC: Prefeito, o senhor fala muito e dá um grande destaque às obras nas estradas vicinais. Como o senhor equilibra os investimentos e a atenção entre a zona rural e as demandas de infraestrutura da sede do município?

Lidiney Gobbi: A nossa zona rural é o coração pulsante da nossa economia; se o produtor não consegue escoar a colheita, a cidade toda sofre. O equilíbrio vem do planejamento. Nós dependemos fortemente da busca de recursos estaduais, federais e emendas de bancada para realizar esses anseios. Com o município recuperando a saúde fiscal, fica mais fácil bater na porta dos deputados e do governador, garantindo recursos tanto para as estradas do interior quanto para a infraestrutura da sede.

NC: O senhor se considera um prefeito mais itinerante, que gosta de despachar da rua e fiscalizar as obras de perto, ou prefere o olho no olho e a estratégia do gabinete?

Lidiney Gobbi: Os dois! O gabinete foi fundamental nestes primeiros meses para frear o desperdício, cortar despesas e arrumar as contas. Sem essa estratégia interna, a prefeitura estaria em situação muito ruim, mas a minha paixão é a rua. É na rua que você olha no olho do morador, vê a obra acontecendo e entende se a máquina pública está de fato servindo às pessoas.

NC: Alguns críticos dizem que prefeito que fica muito na rua não planeja, e outros dizem que quem fica muito no gabinete não conhece a realidade. Como o senhor rebate isso e define o seu estilo?

Lidiney Gobbi: Eu defino meu estilo como o de um gestor equilibrado e incansável. Os números que nosso balanço fiscal mostra provam que o planejamento no gabinete está funcionando, revertendo um déficit em superávit em menos de um ano. E as minhas andanças pelas ruas provam que não perdi o contato com o povo. Tenho 32 anos de prefeitura; eu conheço a realidade do município de ponta a ponta. Planejo com responsabilidade para poder entregar com agilidade na rua.

Relação com o Legislativo e CPI

NC: A Câmara de Vereadores subiu o tom com a abertura de uma CPI. O Executivo enxerga essa investigação como um ato legítimo de fiscalização ou como uma manobra puramente política da oposição?

Lidiney Gobbi: Sempre respeitei a Câmara e considero a fiscalização fundamental. No entanto, é preciso falar a verdade para a nossa população: com apenas oito meses de gestão, quando os primeiros grandes avanços começaram a aparecer, abriram uma Comissão Processante com o claro intuito político de me afastar.

Na sequência, veio essa CPI sobre um contrato de gestão da saúde, que é uma prerrogativa exclusiva da Secretaria de Saúde. Tenho 32 anos de serviço público efetivo e nenhum processo que desabone minha conduta. Não guardo mágoa de nenhum vereador. Pelo contrário, faço um apelohumilde e sincero a eles:Marechal Floriano precisa de nós unidos. Precisamos dialogar e aprovar os projetos que a população tanto espera.

NC: Como a prefeitura tem respondido aos pedidos de informação da CPI? Que garantias a população de Marechal Floriano tem de que a gestão está agindo com total transparência e colaborando com as investigações?

Lidiney Gobbi: A Prefeitura de Marechal Floriano tem atendido, dentro dos limites legais e administrativos, às solicitações formalmente encaminhadas pelos órgãos competentes, fornecendo documentos, informações e esclarecimentos quando requisitados. Nossa orientação sempre foi a de cooperação institucional, respeitando a autonomia e as atribuições de cada órgão de controle.

A população pode ter a tranquilidade de que a administração municipal permanece comprometida com a transparência, com a correta aplicação dos recursos públicos e com o esclarecimento dos fatos. Eventuais questionamentos ou divergências estão sendo tratados pelos canais institucionais adequados, sempre observando o devido processo legal e o direito de defesa.

NC: O tensionamento com a Câmara inevitavelmente contamina o ambiente da cidade. Esse clima de “terremoto político” já começou a paralisar secretarias, atrasar obras ou afetar o ritmo das entregas da prefeitura?

Lidiney Gobbi: A administração municipal permanece funcionando normalmente. Os serviços públicos essenciais continuam sendo prestados e as secretarias seguem executando suas atividades, projetos e programas de acordo com o planejamento estabelecido. Naturalmente, debates políticos fazem parte do ambiente democrático, mas a orientação da gestão é manter o foco no atendimento à população e na continuidade das ações administrativas. Nosso compromisso é garantir que eventuais discussões institucionais não prejudiquem a prestação dos serviços públicos nem os investimentos em andamento.

Além disso, é importante destacar que a atual gestão enfrentou dificuldades institucionais decorrentes da aprovação, pela Câmara Municipal, da Lei Orçamentária com dispositivos que restringiram significativamente a execução orçamentária do Poder Executivo. Diante da existência de vícios de constitucionalidade que comprometiam a autonomia administrativa e financeira do Município, a Prefeitura adotou a via institucional adequada, ajuizando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo. A referida ação encontra-se regularmente em tramitação, aguardando julgamento. Isso demonstra que eventuais divergências entre os Poderes têm sido tratadas pelos meios previstos na Constituição e no ordenamento jurídico, sem paralisação da administração pública e sem prejuízo à continuidade da prestação dos serviços essenciais à população.

NC: Os indícios apontados pela CPI miram diretamente a pasta da Saúde, uma área extremamente sensível para a população. Como o senhor justifica a aplicação das verbas carimbadas do setor e o que há, de fato, de concreto na prestação de contas desses contratos?

Lidiney Gobbi: Os recursos destinados à saúde possuem destinação específica e sua aplicação ocorre dentro das regras estabelecidas pela legislação vigente, sendo submetida aos mecanismos de controle interno e externo existentes. Toda a documentação relacionada aos contratos e à execução dos serviços encontra-se sujeita à fiscalização dos órgãos competentes e aos procedimentos de prestação de contas legalmente previstos. É importante destacar que a análise definitiva de eventuais apontamentos depende da avaliação técnica e jurídica dos órgãos responsáveis, não cabendo antecipar conclusões antes do término dos procedimentos em curso.

NC: Se a defesa do senhor sustenta que as contas e contratos da Saúde estão regulares, como o senhor explica o fato de a oposição ter conseguido articular elementos e votos suficientes para abrir um processo de cassação? O senhor subestimou a articulação política da Câmara?

Lidiney Gobbi:  A abertura de procedimentos políticos e administrativos faz parte das prerrogativas institucionais do Poder Legislativo e deve ser respeitada dentro do regime democrático. A existência de um procedimento, entretanto, não representa, por si só, confirmação de irregularidades. As questões levantadas estão sendo analisadas nas instâncias competentes, observando-se o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.

Quanto ao relacionamento institucional com a Câmara Municipal, a administração mantém sua disposição para o diálogo respeitoso e republicano, sempre buscando a cooperação entre os Poderes em benefício da população de Marechal Floriano. O foco da gestão continua sendo a continuidade dos serviços públicos e o atendimento das demandas da comunidade.

NC: O cidadão de Marechal Floriano assiste a esse cenário com preocupação e cansaço da polarização. Olhando diretamente para o morador que confiou o voto ao senhor, qual é a sua mensagem de defesa e o que o senhor garante sobre o futuro do seu mandato?

Lidiney Gobbi: Para você, morador, que me conhece e confiou em mim: eu também sinto tristeza quando o diálogo é esquecido e dá lugar a ofensas contra mim e minha família. Mas a minha defesa é o trabalho e os números limpos que estamos apresentando. Minha garantia para o futuro é que não vou me curvar diante de brigas políticas. O nosso plano de governo vai avançar. Eu peço a união de todos, da população e dos vereadores, porque a eleição acabou. Agora é a hora de arregaçar as mangas e trabalhar por quem mais precisa.

Saúde em Transformação: O Avanço da Rede Municipal

Marechal Floriano vive um momento de reestruturação e ampliação de sua rede pública de saúde. Com foco no fortalecimento da Atenção Primária, a gestão municipal tem investido na expansão de equipes, na qualificação dos atendimentos e na oferta de novas especialidades, visando um cuidado mais humanizado e resolutivo.

Pilares da Transformação

•          Atenção Primária Fortalecida: O município conta com sete Equipes de Saúde da Família (ESF) e uma média de um médico para cada 2.200 habitantes, índice de referência nacional. A reorganização dos atendimentos permitiu alcançar a marca de 3.094 consultas mensais.

•          Rede de Urgência e Emergência: O Centro de Saúde Dr. Ary Ribeiro da Silva oferece pronto atendimento 24h em clínica geral e pediatria (de segunda a sexta-feira), atendendo cerca de 2.000 pessoas mensalmente. O serviço de Raio-X foi ampliado, funcionando agora diariamente das 08h às 20h.

•          Especialidades e Multiprofissionalismo: A rede passou a oferecer um leque ampliado de especialidades, incluindo Geriatria, Neuropediatria, Cardiologia, Ortopedia e Ginecologia. Além disso, a inserção de farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais nas unidades promove um cuidado integrado.

•          Reabilitação e Apoio: O setor de Fisioterapia realiza cerca de 450 atendimentos mensais, com destaque para o Grupo de Doenças Crônicas, que promove saúde para idosos. O Transporte Sanitário atende, em média, 150 pacientes diariamente, garantindo acesso a tratamentos fora do domicílio.

Destaques em Serviços

ServiçoDetalhes do Atendimento
PediatriaAtendimento semanal com o Dr. Cesar Vello Puppin e quinzenal na unidade de Santa Rita.
Raio-XPlantão de 12 horas diárias (08h às 20h), sete dias por semana.
AssistênciaImplantação de farmacêuticos nas unidades e novos veículos exclusivos para as equipes de ESF.
Saúde BucalAcolhimento, diagnóstico e planos de tratamento individualizados.

A Palavra da Gestão

“Cuidar da saúde das pessoas é a maior missão da nossa gestão. Os resultados que Marechal Floriano vem alcançando demonstram que, quando há planejamento, investimento e valorização dos profissionais, é possível transformar a saúde pública.”

— Lidiney Gobbi, Prefeito Municipal.

“Seguiremos trabalhando com dedicação, responsabilidade e sensibilidade para oferecer uma rede cada vez mais forte, humana e eficiente, porque cuidar das pessoas sempre será a nossa maior prioridade.”

— Ramom Rigoni Gobetti, Secretário Municipal de Saúde.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site, e nos reservamos o direito de excluir. Não serão aceitos comentários que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira mais Notícias

Política

União Brasil define apoio ao Senado e coloca Joelma Costalonga como opção para vice no ES

Política

União Brasil oferece Joelma Costalonga para vice de Ricardo Ferraço

Política

Ex-prefeito de Marataízes, Tininho tem contas de 2024 rejeitada pelo Tribunal de Contas

Política

“O ES vive um momento de confiança, equilíbrio e crescimento”, diz Ricardo Ferraço, em encontro que reuniu cerca de 600 pessoas em Jardim Camburi

Política

Comissão Processante poderá ser instalada na Câmara de Piúma para apurar representação contra Secretário de Cultura e Comunicação; veja vídeo

Política

Câmara aprova em dois turnos fim da escala 6×1 com jornada máxima de 40 horas semanais

Política

Entrevista exclusiva: Dinamismo administrativo do jovem Hugo Luiz Meneghel está transformando a realidade de Alfredo Chaves

Política

“Queremos que os hospitais assumam a gestão de unidades públicas de sistema 24 horas em Cachoeiro”, afirma Ferraço