sexta-feira,
22 de maio de 2026

Política

Entrevista exclusiva: Dinamismo administrativo do jovem Hugo Luiz Meneghel está transformando a realidade de Alfredo Chaves

Por Giovana Schneider

Eleito em 2024 com expressivos 58,05% dos votos válidos (5.779 votos), o advogado Hugo Luiz Meneghel (PP) não apenas assumiu a prefeitura de Alfredo Chaves; ele entrou para os livros de história. Nascido em 3 de janeiro de 1999, Meneghel tornou-se, aos 25 anos, o prefeito mais jovem a assumir o Executivo na história do município e de todo o estado do Espírito Santo.

Quando assumiu a cadeira, o jovem formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) carregava consigo o peso — e a promessa — da renovação, pautada em um discurso de “prometer apenas o que é possível cumprir”.

Passados praticamente 16 meses de sua posse, o jovem que trocou a cadeira da Câmara de Vereadores pelo gabinete principal do Executivo enfrenta agora o peso da realidade administrativa. Em uma entrevista exclusiva para o Notícia Capixaba, Meneghel faz um balanço de sua gestão, detalha a complexa crise da saúde que marcou seu mandato, analisa a transição do Legislativo para o Executivo e revela como a recente paternidade transformou sua visão política.

Ao avaliar esse período focado em uma plataforma de pragmatismo, o prefeito destacou que o principal desafio tem sido enfrentar a lentidão da máquina pública.

“A maior dificuldade foi justamente transformar a vontade de fazer em resultados concretos dentro de uma máquina pública que possui muitos processos lentos e exigências legais”, pontuou o chefe do Executivo.

Segundo ele, foi necessária uma reorganização profunda em contratos, convênios e estruturas administrativas para garantir segurança jurídica e responsabilidade nas entregas.

Entrevista Exclusiva: Hugo Luiz Meneghel – Prioridades Orçamentárias e o Peso da Idade

NC: Neste período de gestão, quais setores receberam o maior volume de investimentos e por que eles foram escolhidos como prioridade imediata em detrimento de outros?

Hugo Luiz Meneghel: Priorizamos áreas essenciais que impactam diretamente a qualidade de vida da população, como saúde, educação, agricultura e infraestrutura. A saúde exigia respostas rápidas, principalmente diante dos desafios enfrentados recentemente. Na agricultura, fortalecemos programas de apoio ao produtor rural, porque sabemos que ela é uma das bases da economia de Alfredo Chaves. Também investimos em estradas, manutenção urbana e melhorias nas escolas. Nosso objetivo foi atender primeiro aquilo que era mais urgente e que tivesse impacto direto na vida das famílias. Visitei todas as escolas no início da gestão para conhecer de perto a realidade de cada uma, ouvindo servidores e alunos. Estamos cumprindo parte de uma promessa de campanha que é a climatização das salas de aula.

NC: O senhor é o prefeito mais jovem da história do Estado. Em algum momento sentiu que sua idade foi usada para subestimar sua capacidade técnica em negociações políticas?

Hugo Luiz Meneghel: Com certeza, sim. Existe naturalmente um olhar de desconfiança quando alguém jovem assume uma responsabilidade tão grande. Mas sempre procurei responder com trabalho, diálogo e preparo técnico. A juventude pode ser vista como falta de experiência por alguns, mas também representa disposição, inovação e coragem para enfrentar desafios. Hoje acredito que o respeito vem sendo conquistado pelos resultados e pela seriedade que a nossa gestão vem colhendo em pouco tempo. Conseguimos ações inéditas, que estão beneficiando os alfredenses, em tão pouco tempo.

Crise e Saúde: O Caso da OS

NC: O escândalo da OS na saúde foi o momento mais crítico do seu governo até agora. Olhando para trás, o que o senhor faria de diferente na fiscalização desse contrato para evitar que o problema chegasse ao ponto que chegou?

Hugo Luiz Meneguel: Foi, sem dúvida, um dos momentos mais difíceis da nossa gestão. Desde a transição identificamos irregularidades e estávamos fiscalizando, tomamos medidas firmes para proteger o interesse público e garantir a continuidade do atendimento à população. Sempre é possível aperfeiçoar mecanismos de fiscalização e controle, e aprendemos muito com essa situação. Hoje temos um acompanhamento mais rigoroso, mais transparência e uma participação técnica ainda maior nos processos de monitoramento dos contratos. Conseguimos implantar mais serviços, oferecer mais especialidades médicas e ampliar o atendimento nas unidades de saúde, em especial na Unidade do Cajá e no Pronto Atendimento. E com nossas parcerias, conseguimos recursos para a construção de um novo PA, mais moderno e amplo.

NC: A prefeitura assumiu a gestão da saúde após o rompimento. Como está o cronograma para a nova licitação e quais garantias a população tem de que o modelo atual é mais transparente que o anterior?

Hugo Luiz Meneghel: Não vamos licitar a gestão da Saúde. Estamos estruturando um novo modelo de saúde com técnicos da nossa própria gestão, com critérios mais rígidos de fiscalização, transparência e acompanhamento dos serviços prestados. Ainda não vimos a necessidade da contratação de uma nova organização, como antes, para gerir a saúde.

Experiência Legislativa vs. Executiva

NC: O senhor serviu como vereador antes de ser prefeito. Como a experiência de fiscalizar o Executivo ajuda — ou atrapalha — agora que o senhor está do outro lado da mesa?

Hugo Luiz Meneghel: A experiência como vereador me ajudou muito a compreender o funcionamento da administração pública e a importância da transparência e do diálogo institucional. Hoje consigo entender melhor as cobranças do Legislativo, porque já estive naquela posição. Ao mesmo tempo, estar no Executivo mostra que muitas decisões dependem de questões técnicas, financeiras e burocráticas que nem sempre são visíveis para quem está de fora. Essa vivência dos dois lados contribui para uma relação mais equilibrada e responsável.

NC: Como tem sido a harmonia com o Legislativo atual? O senhor tem encontrado resistência para aprovar projetos que fazem parte do seu plano de governo?

Hugo Luiz Meneghel: A relação tem sido respeitosa e institucional. Divergências fazem parte da democracia, mas sempre buscamos o diálogo e o entendimento em favor da população. Muitos projetos importantes têm avançado porque existe um compromisso coletivo com o desenvolvimento de Alfredo Chaves. Naturalmente existem debates e questionamentos, o que considero saudável, mas temos conseguido manter uma relação madura e produtiva com a Câmara.

Vida Pessoal e Paternidade

NC: O senhor se tornou pai em meio ao exercício do mandato. Como a paternidade mudou sua visão sobre as políticas públicas municipais, especialmente em áreas como educação infantil e saúde neonatal?

Hugo Luiz Meneghel: A paternidade muda completamente a forma como enxergamos o futuro e as responsabilidades que temos com a cidade. Passei a olhar ainda mais de perto questões ligadas à saúde materno-infantil, educação e qualidade de vida das famílias. Quando você se torna pai, entende ainda mais a importância de construir uma cidade segura, acolhedora e com oportunidades para as próximas gerações.

NC: Como é a rotina de um prefeito de 27 anos que precisa conciliar crises administrativas com os primeiros cuidados de um bebê? O que o Hugo Pai ensina ao Hugo Prefeito?

Hugo Luiz Meneghel: É um desafio diário, porque a rotina de prefeito exige muito emocionalmente e fisicamente. Mas a paternidade também traz equilíbrio, sensibilidade e propósito. O Hugo pai me ensina todos os dias sobre paciência, responsabilidade e empatia. Isso acaba refletindo também na forma de administrar, porque passamos a compreender ainda mais as necessidades das famílias e das pessoas.

Visão de Futuro e Cenário Político

NC: Ao final destes quatro anos, qual marca o senhor quer deixar em Alfredo Chaves? Pelo que o senhor gostaria de ser lembrado após o encerramento deste mandato?

Hugo Luiz Meneghel: Quero ser lembrado como um prefeito que trabalhou de forma séria, próxima das pessoas e comprometida com o desenvolvimento de Alfredo Chaves. Mais do que obras, quero deixar uma gestão moderna, transparente e humana, que tenha fortalecido os serviços públicos e criado oportunidades para a população. Meu objetivo é ajudar a construir uma cidade cada vez mais organizada, acolhedora e preparada para o futuro.

NC: Sendo uma jovem liderança do PP e um recordista de votos, como o senhor enxerga seu papel no cenário político do Espírito Santo para os próximos anos?

Hugo Luiz Meneghel: Enxergo com muita responsabilidade. Tenho consciência de que a confiança que recebi da população aumenta também meu compromisso com resultados. Neste momento, meu foco principal é administrar bem Alfredo Chaves e corresponder à expectativa das pessoas. O futuro político é consequência do trabalho realizado no presente.

NC: O senhor se sente preparado para alçar voos mais altos na política nacional?

Hugo Luiz Meneghel: A política exige preparo, responsabilidade e resultados concretos. Estou muito focado no mandato de prefeito e nos desafios da nossa cidade. Claro que todo gestor público que trabalha com dedicação acaba sendo lembrado para novos desafios, mas acredito que cada passo deve acontecer no momento certo. Hoje, minha prioridade absoluta é Alfredo Chaves e a missão que a população me confiou — finalizou.

Com os pés fincados no presente, mas sob os olhares atentos das principais lideranças capixabas, Hugo Luiz Meneghel encerra a entrevista deixando claro que a pressa — característica natural da juventude — deu lugar ao pragmatismo exigido pelo cargo. Se os “voos mais altos” na política nacional virão, o tempo dirá. Por hora, o jovem advogado e pai de primeira viagem parece entender que o seu passaporte para o futuro depende, exclusivamente, de como ele entregará Alfredo Chaves ao final de seu mandato. A história já foi escrita por sua eleição inédita; o legado, no entanto, começa a ser desenhado agora.

Giovana Schneider é escritora, jornalista e graduada em Filosofia. Moradora de Marechal Floriano (ES), possui uma trajetória marcada pela dedicação às letras e à cultura. É sócia-fundadora da Academia Florianense de História, Artes e Letras “Flores Passinatto Kuster” (AFHAL), instituição onde atualmente exerce o cargo de Diretora Editorial. Sua atuação literária também se estende ao Rio Grande do Sul, onde é sócia correspondente do Centro de Escritores Lourencianos (CEL). Desde 2010, compartilha suas reflexões e produções no blog “Cada um de nós compõe a sua história”.

Comentários

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Respostas de 2

  1. Parece que as coisas estão num caminho mais promissor. Tomara que os munícipes venham aqui expressar suas opiniões, já que convivem diretamente com os avanços ou retrocessos, que por sua vez ampliam as possibilidades de melhoria, se acessadas pela administração municipal, assim avaliar as possibilidades de colocar em prática. Sabemos que há limitações administrativas, técnicas, ambientais, entre outras, para se colocar em prática algumas sugestões, mesmo aquelas que a própria administração almeja. Parabéns pela entrevista.

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