“Aos 91 anos, Dona Lídia Cota carrega na memória lembranças preciosas de uma tradição que atravessa gerações”
Redação
Testemunha viva da história dos tapetes de Corpus Christi em Castelo, ela acompanhou de perto os primeiros passos de um trabalho que se transformaria em um dos maiores símbolos de fé e devoção do município.
Ela recorda com emoção da iniciativa idealizada pela Irmã Vicência, responsável pela primeira passadeira confeccionada em frente à capelinha da Santa Casa.
Naquela época, Dona Lídia também colocou a mão na massa, ajudando voluntariamente na montagem dos tapetes com folhas de mangueira.
Mãe de seis filhos, viu a tradição ganhar força dentro da própria família. Quando os filhos cresceram e passaram a participar ativamente da confecção dos tapetes, ela assumiu outra missão igualmente importante: acolher e alimentar os voluntários que dedicavam horas ao trabalho.
Durante décadas, sua casa se tornou um ponto de apoio para quem ajudava a construir os tapetes.
“Eu oferecia leite queimado, chocolate quente, bolos, café e outras coisas. A mesa estava sempre posta e havia fartura para todos”, relembra.
Para garantir que nada faltasse, Dona Lídia muitas vezes trabalhava até por volta das 2 horas da manhã, preparando os alimentos que seriam servidos aos voluntários.
Hoje, ela sente saudades da intensa movimentação que tomava conta de sua casa na véspera e no dia de Corpus Christi.
“Quem sabia que eu alimentava as pessoas acabava chegando para comer. E muitos também colaboravam, levando leite, bolos e outras coisas para ajudar. Era uma alegria poder fazer isso”, conta.
Com o passar dos anos, os filhos cresceram, seguiram seus caminhos e o ritmo das atividades diminuiu. Mesmo distante dos trabalhos de hoje, Dona Lídia guarda com carinho as lembranças daquele tempo e agradece pelo privilégio de ter participado de uma celebração que considera uma bênção para sua vida e para sua família.
“Foi um período muito especial. Tenho saudades, mas também muita gratidão por tudo o que vivi”, conclui.


