Por Giovana Schneider/Foto: Josemar Rubens Stein
As ruas de Marechal Floriano já não ressoam como antigamente no Sete de Setembro. O entusiasmo, o brilho e o rigor dos tradicionais desfiles cívicos deram lugar ao silêncio da nostalgia. Ficaram na memória as apresentações marcantes, onde alunos encenavam figuras históricas e personificavam com orgulho a história do Brasil, encantando a comunidade local.
A celebração da Independência perdeu o glamour de outrora. Ficaram esquecidos os refrãos populares que embalavam a garotada, como o clássico “Pão com Salame, Guaraná Coroa”, e o ritmo contagiante da célebre fanfarra da escola. O grupo, que levou o nome de Marechal Floriano a se apresentar em diversos outros municípios, era o coração da festividade e motivo de orgulho para os moradores.
Essa tradição começou no início da década de 1970, sob o incentivo do saudoso Padre Eutímio Falqueto, então diretor da escola da CNEC — hoje conhecida como Escola Emílio Oscar Hülle. A partir daquele período, cada desfile passou a refletir o empenho coletivo: a dedicação incansável dos professores nos ensaios, o capricho no figurino e o bom gosto em cada detalhe apresentado.
Hoje, a ausência do evento deixa uma lacuna no calendário cultural do município. Recordar esses momentos é valorizar o desempenho e a dedicação de gerações de florianenses que fizeram do Sete de Setembro uma festa inesquecível. Embora os tambores da fanfarra não soem mais nas ruas, essas memórias permanecem vivas como parte fundamental da identidade e da história de Marechal Floriano.

Escritora, jornalista e filósofa por formação, Giovana Schneider faz da escrita o seu meio de registrar o mundo: “Escrevendo, afasto os meus fantasmas”, declara, já com alguns livros publicados. Colunista no Portal Notícia Capixaba. Residente em Marechal Floriano/ES. Atua ativamente no cenário cultural como sócia-fundadora da Academia Florianense de História, Artes e Letras (AFHAL). Além disso, quebra barreiras geográficas como sócia correspondente do Centro de Escritores Lourencianos (CEL/RS). Desde 2010, ela mantém ativo o seu blog “Cada um de nós compõe a sua história”.


