quarta-feira,
08 de abril de 2026

Artigo/Opinião

“A Empatia como Antídoto”: O Combate ao Bullying Além do Calendário

Por Giovana Schneider

O dia 7 de abril não é apenas uma data protocolar no calendário educativo brasileiro. O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola carrega o peso de uma urgência social que se renova a cada sinal tocado e a cada notificação de celular. Embora o termo tenha se popularizado nas últimas décadas, a prática da intimidação sistemática é um fantasma antigo que agora, sob o rigor da lei e a lente da psicologia, finalmente recebe a seriedade que merece.

Recentemente, o Brasil deu um passo significativo com a inclusão do bullying e do cyberbullying no Código Penal. No entanto, a legislação, por mais necessária que seja para punir excessos e proteger vítimas, é um remédio para o sintoma, não para a causa. A verdadeira raiz do problema reside na cultura da intolerância e na falha de comunicação entre os pilares que sustentam o desenvolvimento do indivíduo: família, escola e sociedade.

O bullying não é “fase de crescimento” nem “brincadeira de criança”. É uma forma de violência que anula a identidade e silencia o potencial. Quando um jovem é ridicularizado por suas características físicas, intelectuais ou sociais, o dano ultrapassa o momento da agressão; ele se infiltra na autoestima e pode ecoar por toda a vida adulta em forma de ansiedade, depressão e isolamento.

No cenário atual, o desafio se torna ainda mais complexo com o ambiente digital. Se antes a casa era o refúgio, hoje o cyberbullying persegue a vítima 24 horas por dia, amplificado pelo alcance devastador das redes sociais. Aqui, o anonimato muitas vezes encoraja o agressor e a passividade dos espectadores alimenta o ciclo.

Combater essa realidade exige mais do que palestras anuais. Exige a construção de uma pedagogia da alteridade. Precisamos ensinar nossos jovens a olhar para o outro não como um espelho de si mesmos ou como um alvo, mas como um universo legítimo e diferente. A escola deve ser o laboratório da democracia e do respeito, onde a divergência de ideias é incentivada, mas a dignidade humana é inegociável.

O papel do espectador também é crucial. Muitas vezes, o bullying sobrevive não apenas pela maldade de quem o pratica, mas pela omissão de quem assiste. Transformar o “não é comigo” em “eu não aceito isso” é a chave para quebrar a engrenagem da opressão.

Portanto, que este 7 de abril sirva de provocação. Que as famílias conversem mais, que as escolas ouçam melhor e que a sociedade entenda, de uma vez por todas, que a diversidade é a nossa maior riqueza. Educar para a empatia é o único caminho para que o ambiente escolar volte a ser, para todos, um lugar de segurança, aprendizado e, acima de tudo, de humanidade.

“O respeito é a base de qualquer amizade.”

“A sua diversão não pode custar a dor de outra pessoa.”

Uma diretora me disse certa vez: “Aqui na minha escola, o bullying não se cria”. Com o avanço da tecnologia, precisamos incluir também o cyberbullying. Não sabemos o que virá pela frente, portanto, o caminho é cortar o mal pela raiz e não permitir que esses comportamentos se desenvolvam.

No Brasil, o bullying e o cyberbullying foram incluídos recentemente no Código Penal (pela Lei 14.811/2024), tornando as punições mais rigorosas e reforçando a responsabilidade de instituições de ensino em prevenir essas práticas.

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