Por Giovana Schneider
A celebração da Epifania do Senhor, popularmente conhecida como o Dia de Reis, segue marcando o início de 2026 com demonstrações de devoção popular. Na noite de terça-feira (6), o tradicional Grupo da Folia de Reis de Araguaya, saiu da Igreja de Sant’Ana.
A Folia de Reis é mais do que uma manifestação religiosa ou folclórica; é um organismo vivo que pulsa no coração das comunidades brasileiras. Inspirado na visão do Secretário de Cultura e Turismo de Marechal Floriano, Enildo Antônio Cardoso, podemos narrar esse acontecimento como um renascimento, pois, como ele mesmo disse: “Foi plantada uma semente que, com certeza, vai germinar”.
Um pouco da história: Segundo o pesquisador Jair Littig, Marechal Floriano já teve Folia de Reis: “Era um grupo muito animado comandado pelo Ormindo Endlich, que tinha uma alegoria de um boizinho. Waldemar Mees com uma mulinha. Cantoria pelo Oscar Araújo no violão, José Vieira no violão, Pedro Santos no pandeiro, Eduardo Rupf na sanfona. Era um grupo muito grande, infelizmente, em 1959 foi a última vez que apresentaram. Além de Marechal, foram para Campinho e Santa Isabel. Assim, depois de um certo “acontecimento”, não tivemos mais Folias de Reis em Marechal”, finalizou Jair. Este “causo” vai estar no livro: “Prosas Florianenses”.

A Folia de Reis no Brasil é uma tradição popular de origem ibérica (portuguesa e espanhola) trazida pelos colonizadores, que celebra a visita dos Três Reis Magos (Gaspar, Melchior e Baltazar) ao menino Jesus, com forte influência católica e servindo como ferramenta de catequese indígena no início, espalhando-se pelo país com adaptações regionais. Essa manifestação folclórica, que dura de 24 de dezembro a 6 de janeiro (Dia de Reis), envolve visitas a casas com canto e música, recriação da jornada dos Magos, e homenageia a luz e a fé cristã, sendo Patrimônio Cultural Imaterial em várias localidades.
O grupo que se apresentou em Marechal Floriano: São Miguel – Araguaya/ES.

O Trajeto da Fé
O primeiro marco da jornada foi a parada no presépio da praça, que contou com a presença especial do Padre Neivaldo Barbosa dos Reis, carinhosamente chamado de Padre Ney. Ao lado dos foliões, o vigário participou do momento de oração, reforçando o simbolismo do encontro dos Reis Magos com o Menino Jesus.
Dando continuidade ao ritual, o grupo seguiu para a residência de Oberdan Pereira e Wandete. O grupo chegou no portão da casa e pediu licença para entrar, através de cantos específicos. No local, a recepção foi marcada por um ambiente de respeito e fervor religioso. “Para os devotos, a chegada da folia não é apenas uma visita, mas uma bênção direta para o lar”.
Música e Espiritualidade
O grupo entoava cânticos religiosos e rezas, abençoando o lar e a família, renovando a esperança e a fé. A música é central em todo o ritual. A visita simboliza a chegada dos Reis Magos ao local de nascimento de Jesus, e os cantos anunciam o nascimento do “Menino Deus”.
Confraternização
Após a parte solene e as orações que pediam proteção para a família, o tom de celebração deu lugar à confraternização. Os anfitriões ofereceram uma mesa farta, composta por bolos, biscoitos, café e vinhos, reunindo os devotos em um banquete de comunhão.
A visita simboliza o encerramento do ciclo natalino, deixando uma renovada sensação de esperança e fé para os desafios do ano de 2026 que se inicia.
“Brilha Marechal Floriano: Um Sonho de Natal” foi o tema principal da Festividade Natalina Florianense e terminou com a tradicional Folia de Reis.




Uma resposta
Foi lindo demais. A Cantoria de Folia de Reis de Araguaya foi exemplar nos cânticos e organização. Aqui agradecemos ao grupo por abrilhantar as festividades de Natal, fechando com chave de ouro.