quarta-feira,
27 de maio de 2026

Saúde

Coronavírus: cepa indiana pode causar 3ª onda

Foto: Virgínia Fuchs/Fiocruz.br

 

Redação

 

A pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcomo afirmou que a chegada da cepa indiana do novo coronavírus ao Brasil pode gerar o surgimento de uma terceira onda da doença caso a variante não seja sensível à imunização. A convidada fez uma apresentação aos deputados da Comissão de Saúde durante reunião virtual nesta terça-feira (4) sobre os 15 meses de pandemia. 

 

“Estamos num momento muito delicado no Brasil, mais de 90% dos casos hoje identificados são causados pela nova variante chamada P.1”, afirmou. Conforme ela, embora o Sars-CoV-2 não seja tão mutante, interceptar a taxa de transmissão é considerado estratégico com medidas não farmacológicas, como distanciamento social e uso de máscara e lavagem das mãos. 

 

“Novas variantes se tornam dominantes quando elas conseguem se disseminar de forma mais eficaz que as formas preexistentes”, explicou, ressalvando que a cepa original é “muito minoritária” atualmente em território nacional, onde circulam três variantes: a de Manaus (P.1), do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.351). 

 

“O nosso grande temor, particularmente o meu, é que nós recebamos a cepa indiana no Brasil, que será uma tragédia para uma terceira onda. Ela não está claramente identificada como sensível às vacinas que estão em uso”, detalhou. A pneumologista também disse que a cepa sul-africana não teve boa resposta com os imunizantes AstraZeneca e Novavax.

 

Embora tenha reconhecido os esforços dos laboratórios para entregar as vacinas com rapidez – atualmente são seis em uso e mais três em vias de aprovação desenvolvidas sobre quatro modelos de concepção –, a médica ressaltou: “Não teremos vacina para todo mundo em 2021”. Ela fez críticas à condução do governo federal na aquisição dos imunizantes, reforçadas pelo deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB). “Perdemos muito tempo”, lamentou.  

 

Sequelas

 

A professora capixaba alertou que a grande incidência de sequelas em pessoas infectadas pela Covid-19 pode representar um novo desafio para a medicina. A médica considerou positiva uma indicação feita ao governo do Estado pelo presidente do colegiado, Doutor Hércules (MDB), para criação de um centro para receber esses pacientes. 

 

“Eu considero a sequela, a síndrome pós-Covid-19, hoje o maior desafio da Medicina, quase que uma especialidade que será necessária”, avaliou Margareth Dalcomo. De acordo com ela, 80% dos pacientes que se curam, mesmo os casos não graves, ficam com pelo menos um sintoma de sequela, como fadiga, dor de cabeça, perda do paladar ou do olfato, entre outros. 

 

A pneumologista falou que atualmente existem centros de atendimento multidisciplinar em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), e no Rio de Janeiro, na universidade estadual. Esses serviços vão desde reabilitação motora até reabilitação cardiovascular. “Muitas pessoas não teriam condição de fazer do ponto de vista privado. Então isso precisa ser oferecido pelo SUS”. 

 

Estudo com BCG

 

Um estudo desenvolvido pela Fiocruz que prevê a utilização da vacina BCG, em comparação com placebo, para reduzir efeitos graves da Covid-19 em profissionais da saúde foi apresentado pela professora. Ela revelou que 2,5 mil pessoas desse grupo serão acompanhadas durante um ano com a realização de testes. A BCG é aplicada em recém-nascidos contra a tuberculose. 

 

A reunião também teve a participação do deputado Luciano Machado (PV). 

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