Mais de 50 alunos da Escola Estadual de Ensino Médio de Mata Fria, em Afonso Cláudio, abandonaram os estudos este ano. A escola que fica na região rural foi fechada no final do ano passado por determinação da Secretaria Estadual de Educação (Sedu). O colégio funcionava no período noturno e atendia a moradores que trabalham na agricultura familiar.
Na época, pais e estudantes reclamaram da decisão da Sedu, afirmando que foram pegos de surpresa. Eles disseram que receberam a notícia sem diálogo e sequer uma reunião para discutir o assunto.
“No final do ano passado fomos informados do fechamento da escola pela diretora em uma conversa informal, não teve diálogo. Em janeiro foi marcada uma reunião, mas por conta das chuvas teve que ser desmarcada” disse a produtora rural e moradora da comunidade, Hilde Helene Jordão.
Segundo os moradores, no ano passado, a instituição de ensino possuía 61 alunos matriculados, que frequentavam os 1º, 2º e 3º ano do ensino médio no período noturno, já que durante o dia muitos trabalham no campo. Hoje apenas dois alunos que frequentavam a EEEM “Mata Fria” estão estudando.
Com o fechamento, os pais foram orientados a matricular seus filhos na escola “Elvira Barros”, no distrito de Serra Pelada, algo contestado por eles devido à distância.
De acordo com Hilde Helene Jordão, a distância que alguns alunos teriam que percorrer seria, em média, de 60 a 80 quilômetros diariamente, em uma estrada perigosa devido ao elevado número de curvas fechadas com grande parte sem pavimentação.
OUTRO LADO
De acordo com o secretário Estadual de Educação, Haroldo Corrêa Rocha, as atividades da escola Estadual de Mata Fria foram suspensas, pois não tinha estrutura.
“A escola de Mata Fria começou a funcionar em 2014 de forma improvisada, sem diretor, pedagogo, laboratório de informática, com turmas reduzidas e elevado número de evasão. Portanto não dava para manter sua atividade. Era oferecido um ensino sem qualidade”, disse.
O secretário ressaltou ainda, que a rede estadual possui vagas ociosas, e que os alunos foram transferidos para uma escola estruturada. “Não se fecha escola. Tem unidade que vai perdendo alunos e seu funcionamento vai ficando inviável. Temos uma rede que sobram vagas. Temos uma escola estruturada a 14 quilômetros”, afirmou.
Segundo Haroldo Corrêa Rocha, o transporte escolar é garantido para todos os alunos da região. Questionado sobre a realidade dos jovens da comunidade que trabalham no campo, ele afirmou que precisa da colaboração dos pais, pois o rendimento dos alunos do período noturno não são bons, e que depois de um dia cansativo de trabalho muitos desistem de ir para escola.
Ainda de acordo com o secretário, o governo estuda implantar no município de Afonso Cláudio, uma unidade do “Escola Viva” de ensino integral, trabalhando uma modalidade ensino que se torne interessante para os jovens, e assim evitar a evasão escolar. Ainda não tem data definida para o início das atividades.
JUSTIÇA DETERMINOU REABERTURA DA ESCOLA
No dia 1º de abril, o juiz substituto da comarca de Afonso Cláudio, Luciano Antônio Fiorot, concedeu uma liminar, determinando a reabertura imediata das matrículas e a apresentação de um cronograma no prazo de 20 dias para o início e reposição das aulas.
Os moradores relataram que, dentro do prazo determinado pela Justiça, a Sedu abriu a pré-matrícula pela internet. No entanto, no dia 03 de abril a superintendência de educação de Afonso Cláudio realizou uma reunião com a comunidade e informou que a escola não reabriria por haver número insuficiente de matrículas.
De acordo com o professor e pai de aluno, Cleber Lopes Boecker de 39 anos, o processo de reabertura das matrículas não foi eficiente, por se tratar de uma comunidade rural com pouco acesso à internet.
“Quase se esgotando o prazo judicial, a Sedu abriu a pré-matrícula online, sem comunicar a comunidade que está localizada numa zona extremamente rural e sem acesso à internet e telefonia. Depois disso a SRE de Afonso Cláudio abriu matrícula na escola, mas não divulgou corretamente os dias e horários que essas matrículas seriam realizadas. Dessa forma o número de matrículas foi razoavelmente baixo, em torno de 25 alunos matriculados”, Disse Cleber.
De acordo com o secretário estadual de educação, a Sedu cumpriu a determinação da Justiça de reabrir as matrículas, online e presencialmente, mas o número de alunos interessados foi insuficiente. Afirmou ainda que realizou chamada para a contratação de professores temporários, no entanto apenas dois se apresentaram para atuar na escola. O caso continua em análise pela Justiça Estadual.


