domingo,
31 de agosto de 2025

Cultura

História da Comunidade Quilombola de Pedra Branca, Vargem Alta, vai virar filme do Revelando os Brasis VI

Foto: Divulgação

O Espírito Santo tem duas histórias entre as 15 selecionadas pela sexta edição do Revelando os Brasis. Em meados da década de 30 do século XX, um descendente de imigrantes germânicos se aventurou em fotografar o cotidiano dos moradores do campo. Quando não estava trabalhando na agricultura, Francisco Seibel viajava pelas cidades do interior capixaba para fazer retratos e registrar casamentos, falecimentos e outros momentos da vida das famílias. Sonhador, inventivo e curioso, ele ainda criava bicicletas de madeira, montava relógios, peças de eletrônica, equipamentos para seu laboratório fotográfico e disparadores automáticos para as câmeras.

 

Nascido em 1910, Francisco fotografou até os 65 anos de idade e, junto com seu amigo fotógrafo Emílio Schultz, formou um dos mais importantes acervos fotográficos responsáveis pelo registro e preservação da imagem das comunidades pomeranas e da cultura do interior do Espírito Santo.  O inovador, que morreu em 1997, aos 87 anos, inspirou a história “Franz Seibel: o Surgimento da Fotografia Pomerana”, de autoria de Rafael Wolfgramm Teixeira de Siqueira, de Laranja da Terra.

 

De Vargem Alta vem a história de um pequeno agricultor da Comunidade Quilombola de Pedra Branca, localizada em município, na região serrana do Espírito Santo. Um dia, Seu Arlindo começa a se preparar para uma viagem misteriosa, deixando intrigados os familiares no lugarejo. Baseado em fatos reais, o causo inspirou a história “A Viagem do Seu Arlindo”, enviado pela professora de arte Sheila Márcia Altoé, moradora de Vargem Alta. Esta é a segunda participação do município no projeto. Na quinta edição, o jornalista Victorhugo Passabon Amorim foi selecionado com a história Vinillis Frutiferis.

 

Quinze histórias do interior brasileiro, vindas de pequenos lugares espalhados por todas as regiões do país, compõem a sexta edição do Revelando os Brasis. Contadas por moradores de cidades com até 20 mil habitantes, as histórias (verdadeiras e inventadas) foram selecionadas no último Concurso Nacional de Histórias do projeto.

 

O Revelando os Brasis promove a democratização do acesso aos meios de produção audiovisual, oferecendo aos moradores das pequenas cidades a possibilidade de contar suas próprias histórias em filmes. Realizado pelo Instituto Marlin Azul, com  o patrocínio da Petrobras, o projeto é um instrumento de registro da memória e da diversidade cultural do país e revela novos olhares sobre o Brasil.

 

Os autores participarão de oficinas de realização audiovisual, no Rio de Janeiro, entre 14 e 27 de agosto, onde estudarão todas as etapas de produção e depois voltarão para os municípios de origem para transformar as histórias em filmes.A lista dos selecionados está disponível abaixo e no site www.revelandoosbrasis.com.br.

 

Todas as cinco regiões brasileiras têm representantes selecionados nesta nova edição: Nordeste (05), Sudeste (05), Norte (02), Sul (02) e Centro-Oeste (01). Doze estados têm histórias escolhidas: Bahia (02); Minas Gerais (02); Espírito Santo (02); Alagoas (01); Ceará (01); Pará (01); Mato Grosso (01); Paraíba (01);Rio Grande do Sul (01); Santa Catarina (01);São Paulo (01) e Tocantins (01).

 

A sexta edição selecionou histórias vindas das seguintes cidades: Lençóis e São José do Jacuípe (Bahia); Barroso e Urucuia (Minas Gerais); Laranja da Terra e Vargem Alta (Espírito Santo); Bom Jesus do Tocantins (Pará); Quebrangulo (Alagoas); Icapuí (Ceará); Nossa Senhora do Livramento (Mato Grosso); São Domingos do Cariri (Paraíba); Antônio Prado (Rio Grande do Sul); Guarujá do Sul (Santa Catarina); Águas de Lindóia (São Paulo) e Arraias (Tocantins).

Oficinas – Os autores das histórias selecionadas participarão das Oficinas de Realização Audiovisual no Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 27 de agosto. O curso é composto por aulas de introdução à linguagem audiovisual, roteiro, direção, produção, direção de arte, fotografia, som, edição/finalização, pesquisa, mobilização comunitária e direitos autorais. Neste período os autores transformam suas histórias em roteiro, elaboram um plano de produção e se preparam para dirigir o filme.

 
Os filmes – Após as oficinas, os selecionados retornam as suas cidades para transformar as histórias em filmes com até 15 minutos, com a participação da comunidade. Na pré-produção, os diretores mobilizam os moradores interessados em integrar a equipe local. Nas filmagens, os autores e a equipe contam com o apoio de profissionais contratados pelo projeto.

Nas cinco primeiras edições do projeto, entre 2004 e 2016, foram produzidas 180 obras, entre ficções, documentários e uma animação. Os filmes realizados são lançados nas comunidades e nas capitais dos estados selecionados através do Circuito Nacional de Exibição Revelando os Brasis, que monta um cinema ao ar livre em ruas e praças dos municípios. Ainda na fase de difusão do projeto, os filmes são lançados em DVD com distribuição gratuita entre realizadores, secretarias, organizações sociais e culturais, cinematecas, universidades e cineclubes de todo o Brasil.As produções também são exibidas no programa de TV Revelando os Brasis,realizado em parceria com o Canal Futura. 

 

Números do Revelando os Brasis

 

• 3.452 inscrições foram contabilizadas em todas as edições do Concurso Nacional de Histórias do projeto;
• 180 obras, entre documentários, ficções e animação, foram produzidas em cinco edições;
• 275 sessões de lançamento dos filmes foram realizadas nas cidades e capitais dos estados durante as cinco edições do Circuito Nacional de Exibição.

 
Saiba mais – O Instituto Marlin Azul é uma entidade sem fins lucrativos com sede no Espírito Santo. Criada há 18 anos, a instituição promove ações e projetos comprometidos com a cultura, a arte e a educação através da democratização do acesso aos bens culturais audiovisuais. Em parceria com órgãos públicos, instituições sociais e organizações privadas, o Instituto desenvolve projetos de formação, produção e difusão audiovisual para todos os públicos.

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