sexta-feira,
29 de maio de 2026

Saúde

Municípios das regiões Sul e Serrana receberão atendimento da carreta de prevenção à hanseníase

Foto: Divulgação

 

Redação

 

A partir da próxima terça-feira (29) e até o dia 6 de dezembro, 20 municípios do Espírito Santo receberão os serviços da Carreta da Saúde – Hanseníase. A carreta é equipada para funcionar como uma unidade de saúde itinerante contendo cinco consultórios e um posto de coleta de exames destinados a ações que favoreçam a busca ativa de casos novos de hanseníase.

 

Além disso, a carreta será utilizada para treinamento de equipes municipais sobre diagnóstico precoce da doença, tratamento, prevenção de incapacidades e promoção em saúde. Ela ficará estacionada em locais estratégicos e de fácil acesso nas cidades e vai atender a população do município sede e também vindos de municípios vizinhos em dias e horários específicos (ver cronograma).

 

A ação é idealizada pelo Ministério da Saúde (MS) e pela Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos e Tuberculosos (ONG DAHW), que conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), da multinacional Novartis Brasil e dos municípios contemplados com o programa.

 

De acordo com o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, a iniciativa é importante para informar a população em geral sobre os aspectos clínicos e sociais da doença. “No Brasil, a hanseníase é uma doença que passa por uma falsa eliminação, pois há uma redução da incidência da doença por redução no diagnóstico e não redução, de fato, da carga de doentes. Então, ações como essa são fundamentais tanto para treinar, garantir o acesso, dar um diagnóstico oportuno, quanto para promover o debate sobre a doença”, considerou.

 

Hanseníase

 

Conhecida comumente como lepra, a hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, que lesiona os nervos periféricos e reduz a sensibilidade da pele. Geralmente, o distúrbio ocasiona manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas com perda ou alteração de sensibilidade em áreas como mãos, pés e olhos, mas também pode afetar o rosto, as orelhas, nádegas, braços, pernas e costas. A transmissão ocorre por meio das vias respiratória (tosse, espirro, fala e respiração).

 

Após o diagnóstico que está disponível nas unidades básicas de saúde, os pacientes recebem o tratamento completo baseado em poliquimioterapia (PQT), ou seja, associação de vários medicamentos, conforme forma clínica. O tratamento da hanseníase interrompe a transmissão e previne deformidades.

 

Dados

 

O Espírito Santo registrou, em 2018, 1,46 casos por 10.000 habitantes (aproximadamente 572 doentes em tratamento e com 5% de abandono). Em 1993, o Estado documentou 24,46 casos por 10.000 habitantes (cerca de 6.540 doentes, com percentual de abandono do tratamento em 59%).

 

Em relação à detecção de novos casos, também houve queda nos números durante o mesmo período, passando de 3,21 casos para 1,19 casos a cada 100 mil habitantes. Só no ano de 2018, foram registrados 467 novos casos da doença no Estado.

 

A diminuição dos casos no Espírito Santo é, de acordo com a coordenadora do Programa de Hanseníase da Sesa, Marizete Puppin, consequência do trabalho desenvolvido pelo Estado. “São quase três décadas de trabalho intensivo. Temos um serviço contínuo nos municípios e o Estado segue no fluxo contrário de outros no País, que tem aumentado o diagnóstico. O Espírito Santo tem um dos melhores índices de cura, mas ainda assim precisamos de ações como esta da carreta para ampliar nossas ações de alerta”, explicou. 

 

Mesmo com a diminuição no número de casos, a doença é considerada pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública. “É uma doença que persiste e os números são muito altos em comparação ao que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é menos de 1 caso por 10 mil habitantes. Por ser uma doença crônica, precisamos estar em permanente vigilância. No Brasil se fala em eliminação da doença, que significa trazer os números para os parâmetros e índices de menos 1 caso para 10 mil habitantes para todos os estados”, esclarece.

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