Por Giovanna Schneider
Criada no final da década de 1990, em Marechal Floriano (ES), a Italemanha (Festival Ítalo-Germânico) rapidamente se consolidou como um dos maiores marcos culturais e econômicos do município. Idealizada durante a gestão do ex-prefeito Cacau Lorenzoni, a festa nasceu com a missão de celebrar as raízes europeias da cidade, alegrar a população florianense e impulsionar a economia local.
Com registros de edições históricas iniciais por volta de 1997 a 1999, o festival construiu uma trajetória sólida ao longo dos anos. Entre as edições recentes mais marcantes, destacam-se:
20ª Edição: Realizada em outubro de 2022.
21ª Edição: Realizada entre 29 de junho e 2 de julho de 2023.
22ª Edição: Realizada de 27 a 30 de junho de 2024.
No entanto, após períodos sem a realização do evento, a ausência da festividade levanta um debate urgente sobre o impacto na receita, no comércio e no turismo da cidade. Em 2024, a 22ª edição demonstrou o gigantismo que o festival alcançou, projetando o nome de Marechal Floriano para todo o estado. Agora, com a interrupção do evento, a população sente o vazio deixado em seu calendário oficial.
A voz da experiência: A opinião do ex-prefeito Cacau Lorenzoni
Para Cacau Lorenzoni, a interrupção de um evento dessa magnitude afeta diretamente a dinâmica social e econômica da cidade. Segundo ele, a administração municipal precisa priorizar ações que movimentem o comércio e valorizem o morador:
“A Italemanha é do povo, é a festa da nossa cidade! Ela movimenta o comércio, o turismo e fortalece todos os setores do município. Em 2024, realizamos a 22ª edição e vimos como o evento se agigantou e ficou conhecido em todo lugar. A cidade não pode ficar sem nenhuma festa. O nosso povo merece e gosta de se divertir no seu próprio município, dentro da sua própria casa. Em todos os outros lugares as festas continuam acontecendo, só em Marechal Floriano que parou.”
O ex-prefeito também relembra o peso artístico que o evento acumulou ao longo dos anos, recebendo grandes nomes nacionais como Michel Teló, Paula Fernandes, 14 Bis, Roupa Nova, Rick e Renner e Skank, além de destacar a forte integração da comunidade com a festa e com a arrecadação beneficente.
Um contraste amargo nos 35 anos de emancipação
A discussão sobre a ausência de grandes eventos ganha ainda mais peso ao coincidir com uma data emblemática: os 35 anos de emancipação política de Marechal Floriano.
O cenário natural para celebrar três décadas e meia de autonomia deveria ser o de uma grande celebração — uma oportunidade para relembrar a garra, a luta e a dedicação de um povo que trabalhou para ver o município crescer e prosperar. No entanto, a realidade imposta à população é marcada por um contraste amargo: enquanto a história e a identidade da cidade mereciam ser festejadas com entusiasmo, o momento atual é de reflexão diante de um expressivo silêncio cultural.



