Redação
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Polícia (DP) de Castelo, prendeu, na última quinta-feira (14), um homem de 58 anos investigado pelo feminicídio de Luciene Galdino, de 34 anos. O crime ocorreu no dia 04 de janeiro deste ano e, inicialmente, era tratado como desaparecimento, após a vítima sair em direção à residência do investigado, localizada na comunidade de Monte Pio, em Castelo, e não ser mais vista. Durante as diligências, no entanto, a Polícia Civil reuniu elementos que indicaram a prática de feminicídio.
Exame de Blue Star (luminol) realizado pela Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) identificou vestígios de sangue e auxiliou no avanço das investigações. Os detalhes sobre a investigação e a prisão foram divulgados em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (19), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O titular da Delegacia de Polícia (DP) de Castelo, delegado Estêvão Oggione, explicou que as investigações tiveram início na Delegacia de Conceição do Castelo, como desaparecimento. “A vítima era de Conceição do Castelo e teria ido passar a virada de ano na casa do namorado, em Castelo. A partir do dia 04 de janeiro, ela não foi mais vista e ninguém conseguiu mais contato com ela pelo celular. Após algumas diligências, concluiu-se que o crime teria ocorrido em Castelo, então as investigações vieram para a nossa unidade”, disse.
Segundo o delegado, o investigado alegou inicialmente que teria levado a vítima para casa, em Conceição do Castelo, no dia do desaparecimento. “Ele dizia que estava tudo bem, que eles estavam bebendo e festejando, que nada teria acontecido e que teria levado ela em casa normalmente. Alegou ainda que teria ocorrido um episódio em que ela puxou uma faca para ele após suspeitar de uma traição. Disse que dormiram em quartos separados e que depois a levou para casa e terminou o relacionamento”, relatou Oggione.
No entanto, as diligências apontaram inconsistências na versão apresentada pelo investigado. “O principal elemento que deu início a tudo foi o fato de ele ter ido sozinho até a casa dela. Nós conseguimos provar isso por imagens de câmeras de monitoramento, provas testemunhais e também pela ausência de qualquer movimentação da vítima após aquele momento. Ela não saiu da residência, não foi trabalhar e não houve mais qualquer contato”, afirmou o delegado.
As investigações também identificaram que a última conexão do celular da vítima ocorreu na região da casa do investigado. “Nós conseguimos, através do registro de conexão do celular dela, verificar que a última conexão foi na torre da região da residência dele. O último login do Facebook da vítima também partiu do IP do wi-fi da casa dele. Então, através dessas diligências, conseguimos concluir que ela não saiu da casa dele”, destacou.
Durante buscas realizadas na residência do investigado, a Polícia Científica utilizou Blue Star (luminol) para identificar possíveis vestígios de sangue. “Foi detectado sangue latente principalmente no quarto do casal. Em uma das amostras coletadas no rejunte do quarto, o exame confirmou o DNA da vítima”, explicou Oggione.
O delegado acrescentou que objetos encontrados na casa da vítima também apresentavam vestígios de sangue: “Quando nós fomos à residência dela, encontramos acessórios que ele havia deixado lá para criar uma aparência de normalidade, como mochila, cordão, relógio e outros objetos pessoais. Esses materiais apresentavam manchas de sangue e, posteriormente, o DNA encontrado também foi confirmado como sendo da vítima.”
As investigações apontam ainda tentativa de ocultação de cadáver. O corpo de Luciene Galdino foi encontrado cerca de 20 dias após o desaparecimento, na região de Itaoca Pedra, em Cachoeiro de Itapemirim. “Ela foi encontrada dentro de um saco agrícola, em um lago de pedreira abandonado, com duas pedras pesadas dentro. Isso nos levou à conclusão de que houve claramente a intenção de ocultar o cadáver”, pontuou.
Segundo Oggione, durante nova busca realizada na residência do investigado após a prisão, foram encontrados sacos agrícolas semelhantes ao utilizado para ocultar o corpo. “Isso corrobora ainda mais a autoria investigada. Também apreendemos outros veículos dele e em um deles foram encontrados vestígios de sangue latente, que ainda serão comparados com o DNA da vítima”, informou.
A identificação da vítima foi realizada por meio de exame odontológico, devido ao avançado estado de decomposição do corpo. O perito Régis Farani, do Departamento de Perícias Externas (DEPEX) da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), explicou que a arcada dentária da vítima estava preservada.
“O corpo estava em avançado estado de decomposição, então não era possível a identificação por papiloscopia. Os peritos de odontologia legal realizaram a identificação comparando a arcada dentária do cadáver com registros odontológicos da vítima ainda em vida. É uma técnica científica amplamente utilizada internacionalmente”, detalhou Farani.
Sobre o exame de Blue Star (luminol), o perito detalhou o funcionamento da técnica utilizada durante as buscas: “O Blue Star (luminol) reage com a hemoglobina presente no sangue e produz uma luminescência característica. Isso permite localizar vestígios mesmo após tentativas de limpeza. No caso investigado, algumas amostras reagiram positivamente e uma delas confirmou o DNA da vítima.”
De acordo com o delegado Estêvão Oggione, o investigado tem extensa ficha criminal por crimes patrimoniais, como furto, roubo e receptação, e havia deixado o sistema prisional recentemente. “Ele saiu da prisão em agosto do ano passado e pouco tempo depois conheceu a vítima. Agora estamos trabalhando com os crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual”, lembrou.
A prisão temporária do investigado tem validade de 30 dias e pode ser prorrogada. “Apesar de já termos muitos elementos, ainda precisamos aguardar laudos periciais e concluir diligências importantes, inclusive para apurar quem pode ter auxiliado na ocultação do cadáver”, frisou o delegado.


