Notícia Capixaba.
Qual a origem do universo? Este talvez seja um dos maiores enigmas da humanidade. Segundo os cientistas, a resposta para essa questão é a famosa ”teoria do Big Bang”. Mas de que forma pesquisadores estudam sua origem e formação? Quais perguntas eles estão tentando responder? E que ferramentas eles usam?
É neste contexto que pesquisadores do mundo inteiro estarão reunidos entre os dias 9 e 14 de março, em Domingos Martins, para tratar questões ligadas ao cosmos durante a 2ª Escola “José Plínio Baptista” de Cosmologia, organizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com apoio da Prefeitura Municipal de Domingos Martins. Além de contar com participantes de todo o país, palestrantes da Alemanha, Chile, Dinamarca, Inglaterra e Rússia estarão no município para discutir e debater os rumos das pesquisas na área.
Segundo o pesquisador Hermano Velten, um dos organizadores do evento, as observações astronômicas são fundamentais para o estudo do cosmos (cosmologia). Ele explica a escolha do tema que será tratado durante o encontro. “Hoje em dia, a capacidade de observação astronômica cresceu muito, a ponto que sermos capazes de captar a chamada Radiação Cósmica de Fundo (RCF) que será o tema dos debates do evento. Trata-se uma radiação emitida quando o universo tinha apenas 400 mil anos (hoje estima-se que ele tenha 14 bilhões de anos). Proporcionalmente, é como se uma pessoa de 100 anos visse uma foto sua com apenas um dia de vida. Ou seja, ao detectarmos a RCF, temos uma espécie de ‘foto’ do Universo quando ele ainda era um bebê”, explica.
Hermano ressalta ainda que as pesquisas nesta área se encontram em evidência devido a dados revelados recentemente sobre esta radiação. “Vivenciamos uma época de grande atividade e efervescência porque a Agência Espacial Europeia, após uma espera de quase duas décadas por parte da comunidade científica, acaba de tornar público os dados coletados recentemente sobre a RCF pelo satélite Planck”, acrescenta o pesquisador.
Ainda de acordo com o pesquisador, o Grupo de Cosmologia do Departamento de Física da Ufes é um dos maiores e mais ativos do Brasil nesta área e pretende interagir com a população. “Escolhemos Domingos Martins desta vez e vamos fazer uma analogia do formato da Pedra Azul com alguns gráficos existentes no estudo da radiação cósmica de fundo (RCF)”, finaliza Hermano.
Pracinha se transformará em observatório

Atividades para a comunidade também estão previstas: o pesquisador Thyrso Villela, do Ministério da Ciência e Tecnologia, falará ao público sobre os programas espaciais e observacionais brasileiros. O objetivo é que os participantes entendam onde e como o Brasil investe na área e quais são os desafios da astronomia brasileira atualmente. A palestra acontece no dia 11 de março, às 19h, no auditório da Escola Mariano Ferreira de Nazareth.
Após este momento, a Praça Arthur Gerhardt, a principal de Domingos Martins, vai se transformar em um observatório. Três lunetas e telescópios serão instalados no local para que a população possa observar objetos celestes como estrelas e planetas. Toda a ação será orientada por funcionários da Ufes que darão explicações aos moradores e visitantes. A atividade é aberta ao público.


