Rael Sérgio/Gazeta.
Durante o depoimento prestado na delegacia, Paulo Henrique disse não estar arrependido de matar a cabeleireira, como descreve o major Muniz, da PM, que acompanhou toda a investigação dos policiais civis da região.
“Ele disse que agiu com raiva e que não se arrepende do que fez. Para o detido, a vítima mereceu morrer por ter o traído”, disse o comandante, que repudiou o crime.
Durante as apurações iniciais dos investigadores, o pintor também foi ouvido na delegacia de Domingos Martins. Paulo Henrique tentava apontar outras pessoas como autoras do crime, na tentativa de sair do foco dos policiais e chegou até mesmo a apresentar álibis. “Ele disse que os vizinhos a viram saindo, fato que foi negado pelas testemunhas”, contou o major.
Até mesmo a moto usada por Rosilene para chegar na casa de Paulo Henrique foi levada por ele até a cidade de Venda Nova do Imigrante, onde o veículo foi encontrado. Essa foi a primeira pista encontrada pela Polícia Civil.
Para retornar, ele pediu uma corrida de táxi. Inicialmente, a polícia descarta a participação de outra pessoa no homicídio.
Após a prisão, o pintor confessou que premeditou o crime por cerca de 10 dias antes do assassinato. “Ele disse que quando descobriu que era traído teve a ideia de matar Rosilene”, afirmou Muniz.
Na época do desaparecimento, a moto da empresária foi encontrada em Venda Nova do Imigrante. A microempresária teria saído de casa com uma mochila nas costas. Depois, não foi mais vista.
Rosilene tem um filho de 17 anos. Ela se separou do marido em janeiro, segundo informações da polícia. Parentes disseram que ela não costumava sair de casa sem avisar.
Vítima queria terminar o namoro com o acusado.

Rosilene era dona de um salão de beleza em São Bentinho de Aracê, Domingos Martins. Ela montou o negócio no distrito e morava na casa ao lado, havia quatro meses, desde quando saiu da residência onde morava com o ex-marido e o único filho de 17 anos. O adolescente continuou na casa do pai e ela passou a morar na casa ao lado do estabelecimento.
“No primeiro depoimento à Polícia Civil, antes de ser preso, Paulo Henrique disse que tinha vontade de se casar com ela, pois era a mulher da vida dele”, detalhou o major Muniz.
Segundo um investigador que atuou no caso, ao chegar no apartamento, no dia do crime, Rosilene encerrou o relacionamento. “Ela pediu para dormir na casa dele, no dia 20 de fevereiro. A vítima disse que aquela seria a última noite deles juntos, pois ela queria terminar o relacionamento”, afirmou o investigador, que não quis ser identificado.
No início da noite de ontem, o corpo da cabeleireira Rosilene chegou ao Departamento Médico Legal (DML), em Vitória. Familiares devem comparecer hoje ao local para fazer o reconhecimento do corpo.
Após crime, viagem de carnaval.

Apesar de ser o principal suspeito durante as investigações, o pintor Paulo Henrique Lourenço Moreira, 28, manteve sua rotina. “Ele confiava na perfeição do crime. Aproveitou o carnaval, fez uma viagem a passeio para Minas Gerais e até paquerou”, contou o major Muniz.
Mas os passos do pintor estavam sendo monitorados, tanto que investigadores da Polícia Civil o vigiaram em pleno domingo de carnaval.
Paulo Henrique foi preso dentro de casa, em Pedra Azul, por volta das 3h desta quinta feira (13). No local, foram encontrados um cinto, um relógio, uma gargantilha e até o chip do celular da vítima. O acusado disse que ganhou os objetos. Os pertences e o carro do pintor foram apreendidos e periciados pela Polícia Civil.


